quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

NOITE

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MEUS SONHOS SE VÃO
NOS DESVÃOS DOS MEDOS.
E CEDO SE CALAM,
ENTALAM A GARGANTA.
E SO CANTA A TRISTEZA
A CERTEZA DE MEU PEITO.
E O MALFEITO VIVIDO,
SENTIDO EM SOLIDÃO,
NÃO ME DEIXA DORMIR
A IMPEDIR NOVOS SONHOS...
...MEUS SONHOS SE VÃO.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

CANSEIRA

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Sujeira?
Eu preciso dessa sua lama.
Quero que me cuspa
Lodo-pétala que anseio
Desejos-medos que não vivo.
Saudades do futuro que não me tem
Esperança ruminando os próprios dentes
Envelhecendo entre poeiras,
Sonhos decantados
Fuligens sobre elmo.
Ossos rangendo o tempo
O desmoronar da loucura ufana.
O “desejado” pelo “cuidar”,
E a dor que me trás, prescindível troca.
Afoga-me, sufoca-me, rasga-me...
Mas ainda luto
Ainda que seja
- minha última força
O seu último suspiro

_

Sou fluido:
Moldo-me a quem quero permear.
Se vazio,
Vazo se raso amor encontrar.

Contramaré, contracorrente
Transbordo, entorno-me sobre si toda dor.
Como for, sou.
Absorvo-me, enxugo-me em seus espinhos,
Medos que lhe envolvem.

Arranque de si o outro que o supor deseja.
Seja-o, pois só a si caberá ser quem deseja,
... Que entenderá seu silêncio e chegará na sua hora.

...

'

Saia sonho
Se esfumace
Você só é
Aquilo que eu quero

...

'

Oferta-me o que menos quero.
Não consigo lhe dar o que precisa.
Esbanja... e eu não tenho...
Se fosse contrário o sentido.
Se fôssemos um pouco o outro
Não teríamos esse insolúvel e ruidoso
Problema com o silêncio...

LIÇÃO

'

Manto, mente, minto, monto... Mundo.
Medo, meço
Monto mentira,
Retira
Tira mente, minto – um manto!
Um manto do mundo
... Em luto
Velas para todos os lados
Velado
Veludo
Escuro
Ex-caras
Escaras... de tudo
Cansado
Do mundo.

PASSA TEMPO

'


Chorar não me faz dormir
Não dormir me faz chorar
Não mais escolho o que sentir
O sentir deixou de ser amar.

Angústia vem me compor
Minha alma adoecer
Minha história decompor
O sonho de feliz viver.

Eu infinito o meu futuro
Em homeopática morte.
Já minha alma não aturo
Entre nós fez-se um corte.

Presentes do passado
Fantasmas do imperfeito
Têm nosso amor condenado
Com o frio o nosso leito.

DESEJO-A

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Desejo-a noite e dia e tanto
Não havendo barragens a suportar
Rompendo-me de um só lanço
No afã de a si interiorizar.

Contrapese ao meu anseio
Equilibre-me tal vazão
Seja você quem permeio
Até me esquecer de seu não.

Teu mar per se não me basta
Preciso da força de sua maré
Que pra si meus desejos arrasta
Para de si ter o que é!

Tire-me seus medos do canto
Enfrente seu demônio em mim
Para todo dia e noite e tanto
Sempre eu colher o seu sim.

'


Era feliz quando não te conhecia
Era feliz quando não te amava.
Não sabia o que a dor alcançava,
E mesmo a solidão chorava em poesia.

...

'

Eu sei que poderias me dar o mundo,
Mas tua pele não é minha.
Sei que por mim fostes ao fundo,
Mas nada colheu desta vinha.
Sei de tudo o que eu tinha
Tuas fartas mãos a ofertar,
Mas minha vida não trilhas
Pois nunca hei de te amar.

FRAGMENTOS DE CONTRADIÇÃO


Enquanto poesias, tentativas...
Projetos, rascunhos, rabiscos, mais comme l avie est un ébauche définitif, dispenso a segunda demão. Minha alma é manchada! Inacabada. Fragmento de um desejo Todo, uno. Algo perdido, uma fagulha, lapso, lacuna... e esquecimento.

Forma? Garatujas! Simples mas verdadeira como o pequeno mundo de uma criança. Um caos de sentidos, sentindo tudo sem nada ser.

Pequena fuligem de uma floresta em chamas, resquícios da verdade, do tempo e da alma... Sem jamais ser nada disso. Contrária a si, ambivalente, obviamente...

Fuligem ao vento... O que restou... De tanto me arderem os demônios que acendi...

FRAGMENTOS...

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Sei que me ama, só não entendo como...
De que forma, com quais medos?
Deseja-me como se tivesse sono
E de si espera como se fosse cedo.

Minha alma e meu corpo é testemunha
Dos bens que poderia me fazer.
Dei meus sonhos pra cravar as unhas
E meu suor para em poesias lhe ter.

Mas algo me persegue e comumente me alcança...
Um aperto – meu peito amarrado à escuridão,
Um vazio – saudade sem esperança.

STELLA III

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Não estou mais no meu desejo
. E inda mais longe da razão.
Finalmente além da mente.
Transcendência enfim...
Desde você sou além de mim!

TEORIA DA RELATIVIDADE

'

Estou no quando
Quanto menos sou
Sou só enquanto...
...um canto que já passou.

Na intensidade do quando
Enquanto o nunca for muito tempo,
Entendo que o pesar de um pranto
É a eternidade de um momento.

Tempos de Noite...
Mas a lua me rasga
Desinvento o açoite
Sendo-me em noite rara...

E assim sem questionar sorrio...
Um fio que em minha face se curva
Em Lua a afastar da noite o vazio
Quando o sonho do ‘pra sempre’ se turva.


segunda-feira, 30 de maio de 2011

DIALÉTICA

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Por ser lei, já fora desejo.
...
Se se faz colo, já lhe enrijeceu o frio.
Se ordem, conhece o ímpeto.
Se afeto, já lhe machucara o desprezo.
Se rugas ou cansaço, intensa a vida.
Se protege, conhece o medo e o escuro.
Suspirando saudade, transpirou o prazer.
...
Enquanto amor, houve em si a falta.
E como pai, soube-se um dia filho.

À Lucien, Hermann, Jacob e aos nossos

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Hoje meu pai morreu.

E o alívio que me percorre
É tão pavoroso quanto o desamparo.

A ele cultuo minhas culpas
Dele me livro os grilhões.

Deixo de sofrer o ato
Pra sofrer o pensamento.

Mas os desejos são os mesmos...

Sua morte, pois, inútil.

Vigia-me inda mais
Onipresente, interiorizado

Duas vezes novamente lhe pranteio:
A falta e a presença!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sem Saber Sentir...

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Deixa-me chorar em ti
a falta de amor que não me tens.
Chorar meu desejo,
ilusão de estar no teu peito.


Deixa-me chorar no teu peito
a realidade que me abraça.
Deixa-me chorar teus olhos, tua paixão.


Deixa-me chorar-te.
... e todo o bem que me fazes.


Deixa
que amor não há,
por qual caminho me levar,
em qual coração migrar...


Deixa-me amar a dor de te amar.
Não me deixes fugir, mas me deixa
... Que um dia me deixo
deixar de esperar-me.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O QUE ME RESTA?

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Sono. O que me resta sentir...

Sinto-me cansado de sentir (...).

Engulo, pois, meus desejos.

Adormeço meus sonhos:
. – pesadelos que se tornam...

Queria querer menos, ser menos...

Mas sinto tudo, menos sono...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

ESTRELA GUIA

Sua vida revela em mim criança.
Seus risos, dengos e beijinhos distribuídos...
Seu grudinho, seu tamanho, sua alegria
Faz-me novamente aquele eterno menino.

No seu calmo sono, tranqüilo – uma lembrança.
Uma saudade do Tempo que não andava,
Um relógio antigo, parado, observando
Enquanto em livres sonhos eu brincava...

Em seu rostinho puro, toda chama da esperança,
– ainda que como espelho revele minha idade,
Um brilho nos olhos por ser amada,
Uma risada gostosa, sinônimo de liberdade.

Carrega-me, pequena, o seu velho pra sua infância...
Um hoje sem amanhã, mas de futuro infinito
Para o prazer de ser, sem como nem porquê
Remoçando o amor desse velho num viver de menino.

ELOGIO À SUJA DESRAZÃO

.I)

A Razão já foi criticada
A Loucura elogiada,
O que resta é a desrazão,
Não da alma, mas do coração.

Como todos, sou puro conflito!
Estando em tudo:
O que amo e o que evito.

Sendo coração, sabe-se fugir à lógica
Mas o que digo, enquanto desrazão,
Vai além da verdade pródiga.

Pensa-se o Caos, Matuta-se contradição,
Ordena-se a desordem em confusão!
Mas quando se sente, além d´alma
Consente igualmente a aureola e a cauda!

domingo, 6 de março de 2011

VERSÃO

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Verto-me para dentro
In-verso,
' Invento...
Intento-me na brisa
ao vento ...interno
' Inverno...

Verso-me de dentro
in-certo,
' Converto...
Com-verso-me, tanto,
Errando, acerto
' o acervo de mim...

Ter? ...incerto.
In-cerro de não e de sim
' em concerto
Versões de mim
conserto, maestro-me
' ...enfim.

sábado, 5 de março de 2011

NATUREZA

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Novamente pude, leve e sobre nuvens, caminhar de olhos fechados...pois eram seus olhos que me guiavam.

Tive a certeza nunca mais sofrer sede, ser-me água enfim, no predestinado encontro de nossos lábios.

A mágica sentida como se o mundo parasse, desabitado, sereno... e todo o cosmo centrado em nosso toque.

Senti-me como se finalmente tivesse encontrado minha casa... pois foi seu corpo que sempre me abrigou.

Do seu corpo nasci. Nele posso me aninhar, proteger-me e viver. E só nele poderei partir.

Mas mal pude reparar seu corpo, pois foi somente sua Alma que naquele dia amei!

... O dia em que se desfizeram o passado e o futuro no reencontro de nossas almas.
Não estávamos ali, mas éramos o todo, atemporalmente...
Como uma lembrança alheia, um sonho antigo e sempre presente.
Éramos, enfim, essência, magia, reencontro e amor.


(...)

E depois disso? Como sobreviver sabendo que uma vida torna-se um mero segredo fadado ao esquecimento, reduzindo-se a magia a mais uma irrelevância...?

quinta-feira, 3 de março de 2011

Triste Teatro

Seu coração é imune a poesia,
É o que nos exige a força de nós exigida.
Somos somente sintomas
Enquanto busco o que há de intenso na vida...

Seus olhos não mais veêm estrelas
E não mais reparamos no que se move devagar
Escolhas que nos fizemos fazer
Ainda que contra a maré eu tente remar.

Como a areia do tempo que não retorna,
Como os amores só admirados em histórias,
Como superfícies dos sonhos que não penetramos
... nosso medo de amar exige vitória.

Se deslocamos nossos vícios às representações
O teatro ficou mais intenso que a vida...
E temendo nos tomar de assalto o desejo,
Tornamo-nos cinzas, deixando aos sonhos as cores vivas...

DESCOISA

Todo imbecil já fora menino
me rimo hoje com saudades:
poeira assentada
Enferrujada corrente
Pugnando lógica da não-lógica.

E tanto, que se penso
peço perdão por não o substimar
Se imbecil, claro! Ambos!
pois da mesma forma
Todo cansado já fora esperança...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

QUADRO

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QUADRO.

Qual será a cor da solidão
Uma mistura de flor e cinza
Como a lágrima que a dor pinta?
Ou a luz do sim ofuscada de não?

Ou teria tal sentimento uma cor pura
– essência destilada da lembrança
E ainda não contaminada de esperança –
Entre a dor passada e a ilusão futura?

DO intenso brilho do encontro
Ao triste opaco do adeus,
Talvez se permeie por toda gama...

Não há na palheta o desenho pronto.
Os sentimentos são esboços de Deus
Que não pintou sem dor um ser que ama.