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Sempre fui tão racional para os fatos que me cercaram que, cansado, comecei a duvidar das chamadas ‘coincidências’. A força da minha razão, nesse sentido e nos últimos tempos, foi perdendo a intensidade. E o golpe final foi seu olhar!
Justamente quando encontro a pessoa mais racional que conheci é que desvalorizo a minha cética razão e começo a crer, finalmente, que as coisas não são por acaso. E essa crença eu devo aos seus olhos!
Essa fé que hoje me acompanha me foi trazida aos poucos, aos pedaços... Partes erigidas com dor, coladas com lágrimas e lapidadas com acanhados sorrisos... Fui montando até ver um corpo, uma matéria sólida diante de mim. E você, por fim, trouxe-me o mais importante dessa obra, aquilo que faltava em mim. Você me trouxe a Alma dessa fé que hoje me acompanha...
Milhões de fatos, inumeráveis pegadas me trouxeram até aqui. Mas somente agora, com você ao meu lado, eu consigo enxergar esse caminho como um Todo, ver um só traçado, uno, e como tal necessário.
A “pedra de toque”, a claridade, a limpeza nessa lama que me via... Atribuo a você a luz dos meus olhos, o enxergar, como um toque de um anjo... Um Anjo! Sim, assim a vejo, no sentido de ‘meio’ à iluminação. aquele que estende a mão e em silêncio acalenta um apavorado coração.
Ainda que se sinta superestimada, não exagero. Pois assim minha alma a vê, vez que meus olhos, talvez telúricos demais, estão condenados a permanecerem cegos...
Não digo o que é, pois jamais saberei. Mas afirmo no hoje o que para mim representa, seu real valor, portanto. O símbolo do Bom, a imagem da paz, figura reta nesse incerto caminhar. Um farol a esse navegante que, como a esperança após longa escuridão, realoca-me entre o céu e o inferno, no meu lugar... Em mim!
Representa o fim das minhas escolhas, o foco à que tudo culmina. Diz-me, com sua calma, com suas ressalvas, que tudo valeu a pena. Reafirma em meu coração o que a razão há muito tem por certo.
Redesenha minha vida como exato espelho do que vivi, confortando, pois, essa insegura alma que muito desacreditou em si... e, assim, fortalece-me, renova-me, traz-me à vida como se nova vida fosse, mas fruto de mim mesmo, do que pensei ter morrido... mas que agora tenho como meu bem cuidado jardim. Que enfim me ajuda a regar, a cuidar e, principalmente, reensina-me a valorizar!
Como, então, não chamá-la de Anjo?
Como não chamá-la Amor?
sexta-feira, 11 de junho de 2010
ESTÚPIDA PINTURA
ou Canhoto e Estrábico Pigmaleão
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A - As cores do meu desejo
B - Quentes, intensas e fugazes,
C - Em cegas pinceladas
D - Espalharam-se como manchas d´alma
E - Sobre a tela da ilusão...
E - Disforme imagem num borrão
D - No instante que a inteligência falta,
C - Como no amor pela imperfeição criada,
B - Transforma-se em bela paisagem
A - Fazendo do monstro um lindo acerto.
F - Ilusória leveza em aquarela
G - De suaves tons e nítida forma
H - Completou-me pois traçado por mim.
I - E como um suspiro na falta de ar
J - Fez-se tão belo quanto meus sonhos...
J - Mas à mínima luz fez-se medonho.
I - E como solvente, fez o Saber apagar
H - Mostrando o avesso Eros e do sonho o fim
G - Na realidade que o engano transforma...
F - E a frágil tinta escorreu como lágrima que era!
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A - As cores do meu desejo
B - Quentes, intensas e fugazes,
C - Em cegas pinceladas
D - Espalharam-se como manchas d´alma
E - Sobre a tela da ilusão...
E - Disforme imagem num borrão
D - No instante que a inteligência falta,
C - Como no amor pela imperfeição criada,
B - Transforma-se em bela paisagem
A - Fazendo do monstro um lindo acerto.
F - Ilusória leveza em aquarela
G - De suaves tons e nítida forma
H - Completou-me pois traçado por mim.
I - E como um suspiro na falta de ar
J - Fez-se tão belo quanto meus sonhos...
J - Mas à mínima luz fez-se medonho.
I - E como solvente, fez o Saber apagar
H - Mostrando o avesso Eros e do sonho o fim
G - Na realidade que o engano transforma...
F - E a frágil tinta escorreu como lágrima que era!
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