Quando me
perdi, no afã de me encontrar, tudo em torno se relativizou. O próprio crer em
nada se fixava, perambulava vendado. O ânimo tinha a percepção de estar se
enganando continuamente quando não afundando em profunda angústia e depressão.
O vazio tomou conta.
Hoje pareço
ainda fingir. Busco uma paz que renunciei, mirando o espelho de um falso querer
naquela minha alma da qual saltei.
Tudo segue
estranho. Fatos e datas se sucedem e me envolvem naquilo que não sou.
Nada mais
volátil e superficial que essa paz que finjo ter. As coisas não se encaixam, e
me dilacero lutando por aquilo que não quero.
Não há aqui
lugar pra mim nesse tempo. To muito aquém do agora.
Maldigo a
necessidade que me molda, insistentemente, de novo e de novo... E se fujo, me
mato, me culpo.
Contorno
minhas leis, com ardis da razão e conhecimento, mas me supero e me entrego a
mim, aos açoites da minha culpa, agudos, cáusticos como os desejos.
E ainda sigo
desencontrado. Acompanhado por devaneios e ingênuos sonhos alheios... maçantes,
impertinentes, fazendo-me estrangeiro de toda essa vida que levo, dessa
aparência que em mim não mais se encaixa.
Sinto-me um
fragmento de algo que desconheço.
Fragmentado.
Não sei
mais, porém, se consigo me calar novamente, mas também não sei se me restam
forças para gritar, para me abandonar de mim e todo esse castelo de cartas que,
assíduo como um inseto, eu construí.
