quinta-feira, 10 de maio de 2012

FRAGMENTADO


Quando me perdi, no afã de me encontrar, tudo em torno se relativizou. O próprio crer em nada se fixava, perambulava vendado. O ânimo tinha a percepção de estar se enganando continuamente quando não afundando em profunda angústia e depressão. O vazio tomou conta.

Hoje pareço ainda fingir. Busco uma paz que renunciei, mirando o espelho de um falso querer naquela minha alma da qual saltei.

Tudo segue estranho. Fatos e datas se sucedem e me envolvem naquilo que não sou.

Nada mais volátil e superficial que essa paz que finjo ter. As coisas não se encaixam, e me dilacero lutando por aquilo que não quero.

Não há aqui lugar pra mim nesse tempo. To muito aquém do agora.

Maldigo a necessidade que me molda, insistentemente, de novo e de novo... E se fujo, me mato, me culpo.

Contorno minhas leis, com ardis da razão e conhecimento, mas me supero e me entrego a mim, aos açoites da minha culpa, agudos, cáusticos como os desejos.

E ainda sigo desencontrado. Acompanhado por devaneios e ingênuos sonhos alheios... maçantes, impertinentes, fazendo-me estrangeiro de toda essa vida que levo, dessa aparência que em mim não mais se encaixa.

Sinto-me um fragmento de algo que desconheço.

Fragmentado.

Não sei mais, porém, se consigo me calar novamente, mas também não sei se me restam forças para gritar, para me abandonar de mim e todo esse castelo de cartas que, assíduo como um inseto, eu construí.