'
Põe-se o Sol num horizonte distante...
Debruça-se sobre o fogo do mar
No encontro da paz – um mágico instante –
Fazendo meu coração abrandar.
O sol sendo acolhido pelo mar:
Envolvente pintura de um abraço!
Imagem que anseio ter sempre no olhar
Encontro hoje no caminho que traço!
Doces pegadas a dois percorridas...
Compartilhamos essa enorme Paz
Infinita sombra que areia não alcança!
Em seu colo esqueço as dores da vida
Tão imenso o calor e a paz que me trás
Assim como o amor que em meu peito lança!
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
OLHOS FECHADOS
O que há de melhor em mim
Pode não sê-lo pra você.
Mas não me reinvento. Sou!
Menos ou mais, o melhor que há em mim.
Não lhe oferto o seu desejo, não mais!
Afinal o que sabe dos meus?
Tem-me completo pela simples espera
E o que eu espero? Esperar-me-á para sempre?
Permita-se ser de você aquilo que mais gosta
E mais gostarei de você, pois me estarei sendo!
Mas me permita também... Deixe-me fluir.
Não retraia seus vales para a água que sou!
Assim como Deus pode ser o Diabo
Essa brisa não quer ser devastidão
Então deixe suas folhas caírem, dançarem
Para que alimentando-nos, juntos, refloresçamos!
Pode não sê-lo pra você.
Mas não me reinvento. Sou!
Menos ou mais, o melhor que há em mim.
Não lhe oferto o seu desejo, não mais!
Afinal o que sabe dos meus?
Tem-me completo pela simples espera
E o que eu espero? Esperar-me-á para sempre?
Permita-se ser de você aquilo que mais gosta
E mais gostarei de você, pois me estarei sendo!
Mas me permita também... Deixe-me fluir.
Não retraia seus vales para a água que sou!
Assim como Deus pode ser o Diabo
Essa brisa não quer ser devastidão
Então deixe suas folhas caírem, dançarem
Para que alimentando-nos, juntos, refloresçamos!
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
INCERTO NAVEGAR
'
Viver não é preciso!
Assim como o bom presente não é necessário,
Não se deve levar uma dádiva a calvário.
Pois um desobrigado saborear é seu único sentido!
Viver não é preciso!
Pois já se saberia, se preciso fosse,
Se suave, amargo, salgado ou doce,
Mas assim como o Amor, não pode ser medido!
Não há que ser pesada como a lida,
Necessária, conseqüente, retamente exigida.
Sente-se a vida como um sonho de menino...
E mesmo o que hoje digo, ontem não dizia,
Desatendo-me... pois assim como a poesia,
O Viver é impreciso!
'
Viver não é preciso!
Assim como o bom presente não é necessário,
Não se deve levar uma dádiva a calvário.
Pois um desobrigado saborear é seu único sentido!
Viver não é preciso!
Pois já se saberia, se preciso fosse,
Se suave, amargo, salgado ou doce,
Mas assim como o Amor, não pode ser medido!
Não há que ser pesada como a lida,
Necessária, conseqüente, retamente exigida.
Sente-se a vida como um sonho de menino...
E mesmo o que hoje digo, ontem não dizia,
Desatendo-me... pois assim como a poesia,
O Viver é impreciso!
'
SAÍDA
'
Sabe-se só,
Somente saudades...
Sonha sonatas,
Soam silêncios...
Sente-se sem Ser,
Saqueada sua sorte.
Sofre sua sina:
Severa solidão!
...
“Sobe! Sobe! Sobe...”
São sussurros sombrios...
Sabe, sonha, sente, sofre...
Salta!
Silêncio...
'
Sabe-se só,
Somente saudades...
Sonha sonatas,
Soam silêncios...
Sente-se sem Ser,
Saqueada sua sorte.
Sofre sua sina:
Severa solidão!
...
“Sobe! Sobe! Sobe...”
São sussurros sombrios...
Sabe, sonha, sente, sofre...
Salta!
Silêncio...
'
VENTOS
'
I)
A nuvem nua vem
Despida de despedida
Envolver meu bem...
II)
A nuvem crua vem
Vestida de despedida
– Faz chorar alguém!
I)
A nuvem nua vem
Despida de despedida
Envolver meu bem...
II)
A nuvem crua vem
Vestida de despedida
– Faz chorar alguém!
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
SEMENTES
'
Meus Bens...
' Aquilo que acolho
' me acolhe também.
' Colho e não tolho
' o que me faz bem.
Com sede... concedo consolo
' com ou sem medo do engodo.
Pra ter o que dou me doo
... me doo
Pra que não me doa a doença
' que cede à sede que se sente
Quando se tenta
Sentir-se um instante contente...
(Perene flor, eterna semente
Sem mente ...insanamente
Nos cega na sede que disso nasce.
' Invade
De cimento os sentimentos
Aquiescendo ao esquecimento
' o que aquece ...silenciosamente).
Silêncio que acolho
E só por isso insisto
Em silenciar o instinto
' ... mas todas noites eu morro
Sem sequer silente socorro
Salvar-me a colheita
' de bens, flores e sentidos
Que planto e não colho.
Meus Bens...
' Aquilo que acolho
' me acolhe também.
' Colho e não tolho
' o que me faz bem.
Com sede... concedo consolo
' com ou sem medo do engodo.
Pra ter o que dou me doo
... me doo
Pra que não me doa a doença
' que cede à sede que se sente
Quando se tenta
Sentir-se um instante contente...
(Perene flor, eterna semente
Sem mente ...insanamente
Nos cega na sede que disso nasce.
' Invade
De cimento os sentimentos
Aquiescendo ao esquecimento
' o que aquece ...silenciosamente).
Silêncio que acolho
E só por isso insisto
Em silenciar o instinto
' ... mas todas noites eu morro
Sem sequer silente socorro
Salvar-me a colheita
' de bens, flores e sentidos
Que planto e não colho.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
...
¨
Não venha
Não me ame
Não me cale
Não me chame.
Não podemos
Não há tempo
Não tem nada
Não há nada
O que é medo?
Não assim
não me aqueça
Não pra mim
não se esqueça
olha a hora
não me esqueço
dessa escola.
É proibido!
O quê sinto?
Sinto apertado...
O que é bonito?
Fui adestrado.
Eu me repito
Não é normal
tão arrancado
dilacerado
peito traído
eu me repito
é proibido
amor banido
por favor
não me olhe
não devore
olhe a dor
não se demore
Não me apavore
Não me apavora
Tanto assim
Se não mais mora
ainda em mim
O seu amor.
Janeiro/2009
Não venha
Não me ame
Não me cale
Não me chame.
Não podemos
Não há tempo
Não tem nada
Não há nada
O que é medo?
Não assim
não me aqueça
Não pra mim
não se esqueça
olha a hora
não me esqueço
dessa escola.
É proibido!
O quê sinto?
Sinto apertado...
O que é bonito?
Fui adestrado.
Eu me repito
Não é normal
tão arrancado
dilacerado
peito traído
eu me repito
é proibido
amor banido
por favor
não me olhe
não devore
olhe a dor
não se demore
Não me apavore
Não me apavora
Tanto assim
Se não mais mora
ainda em mim
O seu amor.
Janeiro/2009
ESTRELA
¨
Aura do meu bem que me enternece,
Leva esse peso para outro mundo, inocente luz –
Olhos que me amparam qual uma prece!
Pedra mística – da dor garimpada a fundo,
Que transforma lágrima em flor: tua arte!
... E num sorriso me cura o mundo.
Porque vieste, mestiça de céu e mar,
A sombria alma desse pai,
Desmerecedor de tal beleza, iluminar?
Porque deixaste a pureza do céu, Estrela cadente?
Para cadenciar essa vida – triste noite enevoada
Curando-a, para que em ti ascenda contente?
Porque deixaste o profundo azul, Estrela do mar?
Para me inundar dessa paz – silêncio calmo seu sorriso,
Afogando-me em teu colo, para enfim eu respirar?
O que me ensinas – brilho intenso, Estrela Flor –,
Não conhecerei nas dores nem na razão,
Só em tua doce alma, imensa aura – verdadeiro amor!
10/11/2010
Aura do meu bem que me enternece,
Leva esse peso para outro mundo, inocente luz –
Olhos que me amparam qual uma prece!
Pedra mística – da dor garimpada a fundo,
Que transforma lágrima em flor: tua arte!
... E num sorriso me cura o mundo.
Porque vieste, mestiça de céu e mar,
A sombria alma desse pai,
Desmerecedor de tal beleza, iluminar?
Porque deixaste a pureza do céu, Estrela cadente?
Para cadenciar essa vida – triste noite enevoada
Curando-a, para que em ti ascenda contente?
Porque deixaste o profundo azul, Estrela do mar?
Para me inundar dessa paz – silêncio calmo seu sorriso,
Afogando-me em teu colo, para enfim eu respirar?
O que me ensinas – brilho intenso, Estrela Flor –,
Não conhecerei nas dores nem na razão,
Só em tua doce alma, imensa aura – verdadeiro amor!
10/11/2010
NOITE DE NUVENS
.
O mundo anda desconfortável.
Qualquer roupa me incomoda...
E já há vergonha em tirá-las.
Nenhum lugar me abriga
Nenhuma chuva me refresca
Nenhum olhar ainda brilha...
As pessoas não se vêem
Ninguém se abraça
... E meu coração anda cansado.
Não me permitem dividir
Mostrar minha alma sem julgamento.
Sem ninho, sem par, sem esperança...
O mundo não me veste mais
E a solidão me sufoca...
Não respiro nesse vácuo de sentimentos.
O que tenho não é meu.
O meu amor – um grito mudo...
E o definhar de tudo: minha certeza!
01.11.10
O mundo anda desconfortável.
Qualquer roupa me incomoda...
E já há vergonha em tirá-las.
Nenhum lugar me abriga
Nenhuma chuva me refresca
Nenhum olhar ainda brilha...
As pessoas não se vêem
Ninguém se abraça
... E meu coração anda cansado.
Não me permitem dividir
Mostrar minha alma sem julgamento.
Sem ninho, sem par, sem esperança...
O mundo não me veste mais
E a solidão me sufoca...
Não respiro nesse vácuo de sentimentos.
O que tenho não é meu.
O meu amor – um grito mudo...
E o definhar de tudo: minha certeza!
01.11.10
OLHOS TRISTES
.
Para você que nunca vejo,
(E quando o busco no espelho
Se esconde num terceiro),
Tenho tanto o que dizer,
Mas tanto me impõe a sentir.
Preciso saber a sua face...
Se me apavora ou me atrai.
Não me culpe como Eros a Psique.
Mas ao revés, como eco de mim,
Arraste-me às minhas profundezas.
Preciso lhe confessar meus medos
Desabafar minhas inseguranças
Preciso calma! Mas me atropela...
Não me deixa refletir e me invade
Lançando-me atado ao escuro!
Se minha reflexão não me reflete
E se sou ação e o outro a forma
(dois que se encontram e não se são)
Você não é ato nem espaço...
Seria o Tempo, a Idéia ou o Nada?
*.*.*
Mônade, Pulsão ou Potência?
Religião, negação ou inércia?
Fel, vício ou latência?
Indecência – castidade e quimera?
... Um vazio a que recorro como mito!
Quem é e o que me faz?
Esconde-se estando sempre em mim.
Indefine-me e me obriga a ser.
Alegra-me a vida desejando-me a morte
E dela me afasta me sufocando de querer...
Um sopro – hálito da treva
Anĭma e Thânatos enlaçados
O vazio entre o céu e a terra,
O peso entre a terra e a morte.
Silêncio que não me deixa dormir...
Permita-me a calma, olhos tristes.
Não me espreite sombrio e lhe juro esquecer,
Descanse também e não divida sua dor.
Saia de mim ou se esconda de vez!
Dê-me essa arma... ou aperte o gatilho!
25.10.2010
Para você que nunca vejo,
(E quando o busco no espelho
Se esconde num terceiro),
Tenho tanto o que dizer,
Mas tanto me impõe a sentir.
Preciso saber a sua face...
Se me apavora ou me atrai.
Não me culpe como Eros a Psique.
Mas ao revés, como eco de mim,
Arraste-me às minhas profundezas.
Preciso lhe confessar meus medos
Desabafar minhas inseguranças
Preciso calma! Mas me atropela...
Não me deixa refletir e me invade
Lançando-me atado ao escuro!
Se minha reflexão não me reflete
E se sou ação e o outro a forma
(dois que se encontram e não se são)
Você não é ato nem espaço...
Seria o Tempo, a Idéia ou o Nada?
*.*.*
Mônade, Pulsão ou Potência?
Religião, negação ou inércia?
Fel, vício ou latência?
Indecência – castidade e quimera?
... Um vazio a que recorro como mito!
Quem é e o que me faz?
Esconde-se estando sempre em mim.
Indefine-me e me obriga a ser.
Alegra-me a vida desejando-me a morte
E dela me afasta me sufocando de querer...
Um sopro – hálito da treva
Anĭma e Thânatos enlaçados
O vazio entre o céu e a terra,
O peso entre a terra e a morte.
Silêncio que não me deixa dormir...
Permita-me a calma, olhos tristes.
Não me espreite sombrio e lhe juro esquecer,
Descanse também e não divida sua dor.
Saia de mim ou se esconda de vez!
Dê-me essa arma... ou aperte o gatilho!
25.10.2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Apostos...
'
Quisera ter meios de sentir
(Sem mentir nem mesmo pra mim
Que somente busco um coração)
Para preencher esse vácuo sem fim...
Quisera ter ódio para punir
(sem infringir nenhuma interna lei,
Com o prazer de um parricídio sem culpa),
Mas em amor ao inimigo eu me calei...
Quisera ter forças para descobrir
(sem pedir que ninguém me preencha
Esse vazio refletido no espelho)
Que culpar o outro é a mais fácil crença...
Quisera ter meios de sentir
(Sem mentir nem mesmo pra mim
Que somente busco um coração)
Para preencher esse vácuo sem fim...
Quisera ter ódio para punir
(sem infringir nenhuma interna lei,
Com o prazer de um parricídio sem culpa),
Mas em amor ao inimigo eu me calei...
Quisera ter forças para descobrir
(sem pedir que ninguém me preencha
Esse vazio refletido no espelho)
Que culpar o outro é a mais fácil crença...
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
A QUEM CHAMAR?
'
A quem devo gritar quando a dor me sufoca,
Se o passado que me matou já está morto,
Se o futuro que espreito não me vê,
E o presente que me aporta me ignora?
A quem devo gritar quando o escuro me abate,
Se todos à minha volta estão de costas,
Quando todos são surdos e só enxergam espelhos,
E sequer o tempo faz com que meu pranto acabe?
Silenciar minha solidão prometo,
Encerrando-a calada nessas letras
Que a ninguém nunca remeto.
Mas... e a esperança de nova canção?
Onde a escondo desse imaturo peito
Se como criança me revolve o coração?
A quem devo gritar quando a dor me sufoca,
Se o passado que me matou já está morto,
Se o futuro que espreito não me vê,
E o presente que me aporta me ignora?
A quem devo gritar quando o escuro me abate,
Se todos à minha volta estão de costas,
Quando todos são surdos e só enxergam espelhos,
E sequer o tempo faz com que meu pranto acabe?
Silenciar minha solidão prometo,
Encerrando-a calada nessas letras
Que a ninguém nunca remeto.
Mas... e a esperança de nova canção?
Onde a escondo desse imaturo peito
Se como criança me revolve o coração?
FENOMENOLOGIA
(ou uma dedicatória a um amigo estrangeiro)
Sinceramente não sou sincero com você.
Descobri que sou mais simples que pensava
Me achava a vastidão do Querer,
Mas sou pleno vazio, o silêncio da estrada...
Minha amada na verdade nunca existiu
Nem em sonhos, atos ou palavras
Habitava tão somente esse frio,
Fingindo acalentar falsa alma assolada.
...
Sou o Silêncio – um deserto escuro e frio,
Mera ilusão, triste e sombria.
Vazia emoção num peito vazio,
Que acreditou que todo sentimento continha.
A inércia, uma flor seca, o pó num canto,
O esquecimento, a solidão da velhice
Que insiste em sempre novo pranto
Dissimular a apatia num olhar triste.
...
Nas injustas tentativas de amar
Buscava somente curar-me de mim,
Mas assim como o perverso engendrar,
Enganando-me conheci o meu fim:
Sou estrangeiro de qualquer sentimento
Como alheio em inanimado viver
Fazendo sofrer as pedras, o velho e o rebento
Mas sem culpa, pois sigo sem o outro eu perceber.
Sinceramente não sou sincero com você.
Descobri que sou mais simples que pensava
Me achava a vastidão do Querer,
Mas sou pleno vazio, o silêncio da estrada...
Minha amada na verdade nunca existiu
Nem em sonhos, atos ou palavras
Habitava tão somente esse frio,
Fingindo acalentar falsa alma assolada.
...
Sou o Silêncio – um deserto escuro e frio,
Mera ilusão, triste e sombria.
Vazia emoção num peito vazio,
Que acreditou que todo sentimento continha.
A inércia, uma flor seca, o pó num canto,
O esquecimento, a solidão da velhice
Que insiste em sempre novo pranto
Dissimular a apatia num olhar triste.
...
Nas injustas tentativas de amar
Buscava somente curar-me de mim,
Mas assim como o perverso engendrar,
Enganando-me conheci o meu fim:
Sou estrangeiro de qualquer sentimento
Como alheio em inanimado viver
Fazendo sofrer as pedras, o velho e o rebento
Mas sem culpa, pois sigo sem o outro eu perceber.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Um Aninho!
INÍCIO
Não conheci ninguém que se lembrasse do início, por isso somente posso tentar traduzir em sentimentos, não fatos. Mas até mesmo as sensações a que me remetem também não são claras.
Inicialmente dois sentimentos me povoavam, distintos e talvez complementares. De um lado um grande vazio, a sensação de um lento caminhar para o nada, sem objetivo; nunca procurando, sempre na espera de algo desconhecido. Sentia-me amarrada, fadada ao abismo que se repetia a cada lua.
Do lado oposto, sem preocupar-me com as paisagens, ansiando sempre o fim, sentia-me, na gana de chegar, desintegrado, perdendo partes de mim, perdendo as forças e morrendo cego, sozinho, a cada final de dia.
Em comum, desses sentimentos que não se comunicavam, havia somente um ponto. O conhecido desejo de se encontrar bem como ao desconhecido. O impulso platônico para a comunhão ideada.
Quando se quer, o tempo se repete sem caminhar, nos envolvendo e nos sufocando em nossos medos.
Mas de repente um elo parece se romper e toda a pesada corrente se solta deixando-nos ao prazer do vento. Não há mais a espera, não há mais o fim. Os anseios, os medos, o fado, a cegueira, tudo se concentra na delícia do encontro, no pasmo da luz, na simplicidade do estar.
O triste fim não ocorreu, e o vazio se tornou pleno.
União, Unidade!
Como descrever? Uma explosão de cores e sentidos? Uma implosão fazendo-me voltar sobre mim, reflexo da natureza? Um infindo multiplicar-se de si mesmo, caleidoscópio de vidas e sentidos.
Nesse novo fervilhar orgânico, um conhecer-se a cada instante, um mundo formando-se, uma organização criando-se por si. Causa de si mesma!
Um desenvolver-se alucinante e frenético, fervilhar febril que aos poucos se vai amainando pelas dimensões já conquistadas, que na proporção de seu tamanho já traz a calma e a paz do caminhar objetivo, mas ainda quente.
Não sei ao que me remeter... ao mito paradisíaco? Quando não se tem desejos? Ou aonde todo anseio é satisfeito? Ao eterno abraço... ao infindável envolvimento, amparo, guarida e cuidado...
Amor! Sim... Mera satisfação é incompleta, fraca ante ao que sentia... Nunca se repetiu, nunca mais senti nada igual, todos os outros raros momentos de amor que senti foram fugazes lapsos, fagulhas de felicidade, ou melhor, de esperança de felicidade. Aquilo que se busca após, acredito, é somente uma tentativa inútil e inconsciente de se voltar àquele estado em que se confunde e magicamente se somam os instantes imediatamente antes e imediatamente depois ao orgasmo: convulsão e a inércia, juntas, ao mesmo tempo... mas ainda assim é pouco para traduzir. Talvez se somássemos a isso a rara sensação de completude, da estagnação do tempo, do fugir-se de si, do flutuar... do desprendimento de toda forma física acrescida da sensação de tudo, em si... conter!
A aparente calmaria. A delícia do navegar, do contemplar. O início do sentir, do se-sentir! Ser!
Até então, tinha a sensação do uno, de tudo conter, de ser o todo, mas algo novo senti e me assustei: o outro! Mas o quê? O que era aquilo? Existia algo além de mim, mas não identificava. Será que o que me acolhia era diferente de mim, da minha sensação de paz? Afinal, sentia um mover-se contínuo e o próprio sentir parecia distinguir-se, especificar-se e novas formas de perceber multiplicavam-se em mim... o sentir como um todo não aumentara, mas parecia desintegrar-se, dividir-se em parte menores que se complementavam num novo entendimento...
Tive, pela primeira vez, a certeza do outro. O tocar! Sujeito e objeto: nova forma de conhecer! Enfim algo se diferenciava de mim. O susto, o desconhecido, medo e prazer. Novidade... e o descobrir-se contínuo mudava o foco... A inversão copernicana... Existia vida independente naquela sensação de envolvimento e colo, era o outro que me ofertava prazer, paz.
Sabores, estímulos, a novidade contínua. Vermelho... incômodo e excitação, delícia e medo...meu olhar. Vozes... de início extremamente baixas, sussurrantes. Segredos? Aos poucos quebravam o contínuo embalar, eterno, pulsante. Antes era só um sentir interno, como se integrasse ao todo, a mim: um fundo musical para a lenta expansão desse universo... Logo depois, ainda silencioso e ainda mais interno, um pulsar mais acelerado, como se com sede, como que jovem, dando cadência àquele fervilhar de vida. Agora já os ouvia, distintos, um a me embalar, outro a me manter... era uma dança constante, linda, na qual toda suavidade se fazia absorver, penetrar em cada célula, ser cada célula.
Essa cadência, então, começara a ser entrecortada por outros sons... Vozes! Conversas nas quais uma voz distinta estava sempre presente, a mais doce, a mais familiar e acolhedora. As vezes ouvia uma voz mais grave, carinhosa e nesse instante sentia que aquele permanente abraço se fazia mais forte, mais envolvente... Queria participar, queria compartilhar o que sentia e ouvia, mas nenhum som saía de mim, então me comunicava com a única coisa que possuía desde sempre, interagia com o mover-se. Não era consciente, claro, era uma expressão: sentia e precisava catexiar, e como vinha, ia! Também queria abraçar...
A percepção do outro só aumentava, diminuindo aquele ensimesmamento... Sensação de abrir os olhos... Luz! A quebra da unidade, da barreira entre mundos apartados. Encontro sem fusão! Intimidade...
Não sei se por essa nova sensação, se por essa crescente curiosidade, necessidade de contato, mas o fato é que algo que hoje traduzo como impaciência se apoderou de mim... Sentia-me sufocar, não cabia mais em mim, um empertigar, vontade de me expulsar, assim como a todas as minhas ânsias, agora também crescentes...
Algo como a curiosidade, uma força corrosiva vindo de dentro, o não mais bastar-se. Tudo era grande demais. Era isso, explosão! Meu fim...
Depois de todas as minhas experiências, só restava meu fim, escoar-me de mim. Dissolver-me melancolicamente ou desintegrar-me numa explosão. Não sei, sei que precisava rasgar.
E acho que foi assim... uma ansiedade incontrolável, crescente, clímax... e quando pensava vir o silêncio absoluto... de repente os sons mudam, outras vozes, outras luzes, ofuscantes, cegantes...
Frio.
Senti-me arrancada. Nada mais gélido, branco, inóspito. Desespero! Desespero! Porque a morte não me vinha suave? Arrastada, impotente, e o frio me penetrava, enrijecia, me trincava o corpo... e quando sabia não mais poder resistir, ouvi ao fundo uma voz doce, suave, acolhedora... fui novamente envolvida, abraçada e o quente colo novamente me abraçava.
Aquela voz chamava meu nome, fui colocada em seu peito. Não estava morta. Era Primavera. Era 29 de Setembro de 2009. Nesse dia eu nasci!
Não conheci ninguém que se lembrasse do início, por isso somente posso tentar traduzir em sentimentos, não fatos. Mas até mesmo as sensações a que me remetem também não são claras.
Inicialmente dois sentimentos me povoavam, distintos e talvez complementares. De um lado um grande vazio, a sensação de um lento caminhar para o nada, sem objetivo; nunca procurando, sempre na espera de algo desconhecido. Sentia-me amarrada, fadada ao abismo que se repetia a cada lua.
Do lado oposto, sem preocupar-me com as paisagens, ansiando sempre o fim, sentia-me, na gana de chegar, desintegrado, perdendo partes de mim, perdendo as forças e morrendo cego, sozinho, a cada final de dia.
Em comum, desses sentimentos que não se comunicavam, havia somente um ponto. O conhecido desejo de se encontrar bem como ao desconhecido. O impulso platônico para a comunhão ideada.
Quando se quer, o tempo se repete sem caminhar, nos envolvendo e nos sufocando em nossos medos.
Mas de repente um elo parece se romper e toda a pesada corrente se solta deixando-nos ao prazer do vento. Não há mais a espera, não há mais o fim. Os anseios, os medos, o fado, a cegueira, tudo se concentra na delícia do encontro, no pasmo da luz, na simplicidade do estar.
O triste fim não ocorreu, e o vazio se tornou pleno.
União, Unidade!
Como descrever? Uma explosão de cores e sentidos? Uma implosão fazendo-me voltar sobre mim, reflexo da natureza? Um infindo multiplicar-se de si mesmo, caleidoscópio de vidas e sentidos.
Nesse novo fervilhar orgânico, um conhecer-se a cada instante, um mundo formando-se, uma organização criando-se por si. Causa de si mesma!
Um desenvolver-se alucinante e frenético, fervilhar febril que aos poucos se vai amainando pelas dimensões já conquistadas, que na proporção de seu tamanho já traz a calma e a paz do caminhar objetivo, mas ainda quente.
Não sei ao que me remeter... ao mito paradisíaco? Quando não se tem desejos? Ou aonde todo anseio é satisfeito? Ao eterno abraço... ao infindável envolvimento, amparo, guarida e cuidado...
Amor! Sim... Mera satisfação é incompleta, fraca ante ao que sentia... Nunca se repetiu, nunca mais senti nada igual, todos os outros raros momentos de amor que senti foram fugazes lapsos, fagulhas de felicidade, ou melhor, de esperança de felicidade. Aquilo que se busca após, acredito, é somente uma tentativa inútil e inconsciente de se voltar àquele estado em que se confunde e magicamente se somam os instantes imediatamente antes e imediatamente depois ao orgasmo: convulsão e a inércia, juntas, ao mesmo tempo... mas ainda assim é pouco para traduzir. Talvez se somássemos a isso a rara sensação de completude, da estagnação do tempo, do fugir-se de si, do flutuar... do desprendimento de toda forma física acrescida da sensação de tudo, em si... conter!
A aparente calmaria. A delícia do navegar, do contemplar. O início do sentir, do se-sentir! Ser!
Até então, tinha a sensação do uno, de tudo conter, de ser o todo, mas algo novo senti e me assustei: o outro! Mas o quê? O que era aquilo? Existia algo além de mim, mas não identificava. Será que o que me acolhia era diferente de mim, da minha sensação de paz? Afinal, sentia um mover-se contínuo e o próprio sentir parecia distinguir-se, especificar-se e novas formas de perceber multiplicavam-se em mim... o sentir como um todo não aumentara, mas parecia desintegrar-se, dividir-se em parte menores que se complementavam num novo entendimento...
Tive, pela primeira vez, a certeza do outro. O tocar! Sujeito e objeto: nova forma de conhecer! Enfim algo se diferenciava de mim. O susto, o desconhecido, medo e prazer. Novidade... e o descobrir-se contínuo mudava o foco... A inversão copernicana... Existia vida independente naquela sensação de envolvimento e colo, era o outro que me ofertava prazer, paz.
Sabores, estímulos, a novidade contínua. Vermelho... incômodo e excitação, delícia e medo...meu olhar. Vozes... de início extremamente baixas, sussurrantes. Segredos? Aos poucos quebravam o contínuo embalar, eterno, pulsante. Antes era só um sentir interno, como se integrasse ao todo, a mim: um fundo musical para a lenta expansão desse universo... Logo depois, ainda silencioso e ainda mais interno, um pulsar mais acelerado, como se com sede, como que jovem, dando cadência àquele fervilhar de vida. Agora já os ouvia, distintos, um a me embalar, outro a me manter... era uma dança constante, linda, na qual toda suavidade se fazia absorver, penetrar em cada célula, ser cada célula.
Essa cadência, então, começara a ser entrecortada por outros sons... Vozes! Conversas nas quais uma voz distinta estava sempre presente, a mais doce, a mais familiar e acolhedora. As vezes ouvia uma voz mais grave, carinhosa e nesse instante sentia que aquele permanente abraço se fazia mais forte, mais envolvente... Queria participar, queria compartilhar o que sentia e ouvia, mas nenhum som saía de mim, então me comunicava com a única coisa que possuía desde sempre, interagia com o mover-se. Não era consciente, claro, era uma expressão: sentia e precisava catexiar, e como vinha, ia! Também queria abraçar...
A percepção do outro só aumentava, diminuindo aquele ensimesmamento... Sensação de abrir os olhos... Luz! A quebra da unidade, da barreira entre mundos apartados. Encontro sem fusão! Intimidade...
Não sei se por essa nova sensação, se por essa crescente curiosidade, necessidade de contato, mas o fato é que algo que hoje traduzo como impaciência se apoderou de mim... Sentia-me sufocar, não cabia mais em mim, um empertigar, vontade de me expulsar, assim como a todas as minhas ânsias, agora também crescentes...
Algo como a curiosidade, uma força corrosiva vindo de dentro, o não mais bastar-se. Tudo era grande demais. Era isso, explosão! Meu fim...
Depois de todas as minhas experiências, só restava meu fim, escoar-me de mim. Dissolver-me melancolicamente ou desintegrar-me numa explosão. Não sei, sei que precisava rasgar.
E acho que foi assim... uma ansiedade incontrolável, crescente, clímax... e quando pensava vir o silêncio absoluto... de repente os sons mudam, outras vozes, outras luzes, ofuscantes, cegantes...
Frio.
Senti-me arrancada. Nada mais gélido, branco, inóspito. Desespero! Desespero! Porque a morte não me vinha suave? Arrastada, impotente, e o frio me penetrava, enrijecia, me trincava o corpo... e quando sabia não mais poder resistir, ouvi ao fundo uma voz doce, suave, acolhedora... fui novamente envolvida, abraçada e o quente colo novamente me abraçava.
Aquela voz chamava meu nome, fui colocada em seu peito. Não estava morta. Era Primavera. Era 29 de Setembro de 2009. Nesse dia eu nasci!
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
KENOMA DE MEDEIA
´
Kenoma de Medeia
Idéia em latência
Inocência da esperança
Fragrância do real
Ideal de perfeição
Chão do amanhã
Maçã do criador
Dor do poeta
Seta do amante
Instante pré-gozo
Lodo pro cético
Estético futuro
Inseguro momento
Rebento da história
Vitória ou lona?
Kenoma de Medeia...
Kenoma de Medeia
Idéia em latência
Inocência da esperança
Fragrância do real
Ideal de perfeição
Chão do amanhã
Maçã do criador
Dor do poeta
Seta do amante
Instante pré-gozo
Lodo pro cético
Estético futuro
Inseguro momento
Rebento da história
Vitória ou lona?
Kenoma de Medeia...
Un Ébauche Définitif
.
Tenho medo da arte final
Sou o rascunho que nunca acaba
E enlaça o eterno porvir da idéia.
O fim me assusta, o estar pronto...
“Acabou! E agora?”
Embora melhor gozo não há.
Não há projeto nem perfeição
E minha vida é só rasura
...Insegura águia filhote...
Riscos, rabiscos e borrões,
Na esperança do belo amanha, me contornam
E formam a fria realidade do hoje.
Tenho medo da arte final
Sou o rascunho que nunca acaba
E enlaça o eterno porvir da idéia.
O fim me assusta, o estar pronto...
“Acabou! E agora?”
Embora melhor gozo não há.
Não há projeto nem perfeição
E minha vida é só rasura
...Insegura águia filhote...
Riscos, rabiscos e borrões,
Na esperança do belo amanha, me contornam
E formam a fria realidade do hoje.
AGORA
.
Não me importa se fugaz fagulha,
Ou se incêndio que consumirá o mundo.
Não me importa mais a certeza, o acerto,
Desde que o erro venha do meu coração.
Respiro hoje o Agora, esse ar que me invade.
Respiro o meu mundo, e o meu mundo é você!
Sei somente do meu destino, do meu passado
E tudo aquilo que o Hoje contém.
E se hoje ando ao seu lado
É do seu lado que por todo o tempo estive.
Não só tudo me trouxe a você,
Mas tudo sempre foi você, pra você...
Aqui onde o Agora se eterniza
Onde o Nunca se desfaz
E o Sempre se resume num olhar...
Aqui estou eu, Agora sou seu
Eternamente...
E com certeza a cada instante!
19/09/2010
Não me importa se fugaz fagulha,
Ou se incêndio que consumirá o mundo.
Não me importa mais a certeza, o acerto,
Desde que o erro venha do meu coração.
Respiro hoje o Agora, esse ar que me invade.
Respiro o meu mundo, e o meu mundo é você!
Sei somente do meu destino, do meu passado
E tudo aquilo que o Hoje contém.
E se hoje ando ao seu lado
É do seu lado que por todo o tempo estive.
Não só tudo me trouxe a você,
Mas tudo sempre foi você, pra você...
Aqui onde o Agora se eterniza
Onde o Nunca se desfaz
E o Sempre se resume num olhar...
Aqui estou eu, Agora sou seu
Eternamente...
E com certeza a cada instante!
19/09/2010
ALEM-TEMPO
.
Quando o passado tornar-se serena passagem,
Que o presente nos confirme a intuição
E que o futuro nos endosse a certeza.
Quando o tempo não mais caminhar
Saibamos que nossas mãos nunca se soltaram
E que nossos olhos não mais fecharão.
Enquanto nos protegem os astros e o caos
Sejamos a espada de nosso destino
E as pétalas do acaso que nos inspira.
E enquanto esses corpos respirarem
E essas almas partilharem o mesmo brilho
Levemos a certeza onde nos levar a intuição!
18/05/2010
Quando o passado tornar-se serena passagem,
Que o presente nos confirme a intuição
E que o futuro nos endosse a certeza.
Quando o tempo não mais caminhar
Saibamos que nossas mãos nunca se soltaram
E que nossos olhos não mais fecharão.
Enquanto nos protegem os astros e o caos
Sejamos a espada de nosso destino
E as pétalas do acaso que nos inspira.
E enquanto esses corpos respirarem
E essas almas partilharem o mesmo brilho
Levemos a certeza onde nos levar a intuição!
18/05/2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
DUAS VEZES
.
Tenho também em mim o alheio pesar
E em meu andar pior dor pois próprio peito.
Mas o seio dessa angústia vi o tempo atravessar
E descansar na relva da paz que hoje me deito.
Um sofrer distante se aproxima não por empatia
Mas quando caminha por mesma trilha dos meus passos,
Vastos desertos donde outrora essa alma fugia,
Quando já sentia da morte acolhedor abraço.
E se ainda a esse abismo eu empurro
Inseguro outro que em mim acreditou
Sou dos corações o mais impuro,
Mas juro que foi o meu peito quem mais sangrou.
E tanto, que a falsa cura trazida pelo tempo
Em esquecimento sereno – um obscuro paraíso,
Jazigo raso de relva e paz que inutilmente intento,
Mero vento já desfaz num vazio sorriso.
Tenho também em mim o alheio pesar
E em meu andar pior dor pois próprio peito.
Mas o seio dessa angústia vi o tempo atravessar
E descansar na relva da paz que hoje me deito.
Um sofrer distante se aproxima não por empatia
Mas quando caminha por mesma trilha dos meus passos,
Vastos desertos donde outrora essa alma fugia,
Quando já sentia da morte acolhedor abraço.
E se ainda a esse abismo eu empurro
Inseguro outro que em mim acreditou
Sou dos corações o mais impuro,
Mas juro que foi o meu peito quem mais sangrou.
E tanto, que a falsa cura trazida pelo tempo
Em esquecimento sereno – um obscuro paraíso,
Jazigo raso de relva e paz que inutilmente intento,
Mero vento já desfaz num vazio sorriso.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
PRINCÍPIOS
.
Será que algum dia algo me satisfará?
Alguém de algum modo me dará paz?
Ou aprenderei que a dor que sofrer me faz
Só no meu final silenciar se acalmará?
Que fosse Contínuo e intenso o pleno gozo,
Ideada imagem de completude e prazer,
Com a paz no colo do infantil adormecer...
...Tais anseios faz-me dos seres o mais tolo.
Nesse eterno embate de princípios
Entre a flecha do prazer e a blindagem do real
Sinto-me cambaleante arrastado a precipícios.
Seria eu tão estrangeiro e anormal
Que findará com o mesmo desejo do início,
Ou simplesmente humano: mediocre e banal?
Será que algum dia algo me satisfará?
Alguém de algum modo me dará paz?
Ou aprenderei que a dor que sofrer me faz
Só no meu final silenciar se acalmará?
Que fosse Contínuo e intenso o pleno gozo,
Ideada imagem de completude e prazer,
Com a paz no colo do infantil adormecer...
...Tais anseios faz-me dos seres o mais tolo.
Nesse eterno embate de princípios
Entre a flecha do prazer e a blindagem do real
Sinto-me cambaleante arrastado a precipícios.
Seria eu tão estrangeiro e anormal
Que findará com o mesmo desejo do início,
Ou simplesmente humano: mediocre e banal?
Verdade?
.
A verdade, tão falsa quanto a tola crença,
Em juras de recompensa destrói toda paz.
Oferta-nos o paraíso mas o inferno nos faz
Dilacerando o peito de quem no outro pensa!
Mas se o próprio outro repudia a verdade,
Quem acolhe a oferta de suposto bem?
Se a velha máscara não incomoda ninguém,
Porque se pregar o eco e a reciprocidade?
A salvação e o maldito bem comum...
A estúpida honra, a índole e o caráter
Faz com que sejamos todos e não mais um.
E o tolo que chora em infindável sofrer,
Reconhecendo-se como fraco sem valor algum,
Inda crê que a felicidade da verdade irá nascer!
A verdade, tão falsa quanto a tola crença,
Em juras de recompensa destrói toda paz.
Oferta-nos o paraíso mas o inferno nos faz
Dilacerando o peito de quem no outro pensa!
Mas se o próprio outro repudia a verdade,
Quem acolhe a oferta de suposto bem?
Se a velha máscara não incomoda ninguém,
Porque se pregar o eco e a reciprocidade?
A salvação e o maldito bem comum...
A estúpida honra, a índole e o caráter
Faz com que sejamos todos e não mais um.
E o tolo que chora em infindável sofrer,
Reconhecendo-se como fraco sem valor algum,
Inda crê que a felicidade da verdade irá nascer!
...
.
Destruo tudo o que toco
Como a lâmina do tempo
Mas ao revés deste
nada crio que não dor!
Nada sou que não a morte
De tudo o que acredito
De tudo o que me inspira
De tudo o que ja amei...
Mas nunca soube o que é amar
Traduzindo-o por sofrer
Que se eterniza na minha alma
E na de quem em mim acreditou.
Não temo em nada o futuro
O passado que me assombra
Nas tristes pegadas que deixei
E em todos os sonhos que pisei...
Eu só queria acordar
...ou morrer de vez!
maio.
Destruo tudo o que toco
Como a lâmina do tempo
Mas ao revés deste
nada crio que não dor!
Nada sou que não a morte
De tudo o que acredito
De tudo o que me inspira
De tudo o que ja amei...
Mas nunca soube o que é amar
Traduzindo-o por sofrer
Que se eterniza na minha alma
E na de quem em mim acreditou.
Não temo em nada o futuro
O passado que me assombra
Nas tristes pegadas que deixei
E em todos os sonhos que pisei...
Eu só queria acordar
...ou morrer de vez!
maio.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
"EINFÜHLUNG"
-
Como saber o quanto o Tempo padece,
Sozinho e eterno, da dor de nos ver passar?
Como dizer da angustia do Real, a todo instante,
Obrigando-se a verdade nos mostrar?
Se somos nós que nos perdemos,
Se somos nós que de nós morremos,
Porque, sendo-nos mero instante e poeira,
É o peito de tais senhores que a dor permeia?
Condôo-me com a solidão do Tempo,
Que nos seu ritimado algoz ofício,
Assiste inerte o nascer de sua obra
De breve viver destinada ao sacrifício.
Reconheço o angustiante conflito do Real
Que só oferta paz ao ser desprezado
E, junto aos raros que a si se sujeitam,
Chora por ter o sombrio espelho revelado.
Nossa cegueira nos faz imensos e únicos
A ignorância nos faz sábios da ilusão
E nesse instante, inconsoláveis,
Lamentam o destino os dois velhos irmãos.
Como saber o quanto o Tempo padece,
Sozinho e eterno, da dor de nos ver passar?
Como dizer da angustia do Real, a todo instante,
Obrigando-se a verdade nos mostrar?
Se somos nós que nos perdemos,
Se somos nós que de nós morremos,
Porque, sendo-nos mero instante e poeira,
É o peito de tais senhores que a dor permeia?
Condôo-me com a solidão do Tempo,
Que nos seu ritimado algoz ofício,
Assiste inerte o nascer de sua obra
De breve viver destinada ao sacrifício.
Reconheço o angustiante conflito do Real
Que só oferta paz ao ser desprezado
E, junto aos raros que a si se sujeitam,
Chora por ter o sombrio espelho revelado.
Nossa cegueira nos faz imensos e únicos
A ignorância nos faz sábios da ilusão
E nesse instante, inconsoláveis,
Lamentam o destino os dois velhos irmãos.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
UMA ÚLTIMA FLOR AO MALANDRO DO CHICO...
.
Uma lapela apela lá pela Lapa
Lá longe onde o bonde esconde
Um tempo sem vento que invento
Na lembrança criança que dança
Com palavras traçadas na estrada
Da vida já ida vivida na lida...
Uma lapela apela lá pela Lapa
Lá longe onde o bonde esconde
Um tempo sem vento que invento
Na lembrança criança que dança
Com palavras traçadas na estrada
Da vida já ida vivida na lida...
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Cicatrizes: Sorrisos ao Tempo, um agradecimento sincero...
quarta-feira, 16 de junho de 2010
SINCERAMENTE...
_
Queria voltar a crer no amor
Mesmo sabendo que ele não existe.
Reconstruir dessa pungente dor
Uma outra verdade menos triste.
Queria crer no que um dia me disse
A Lua e a Estrela do poeta amante,
Mas a natureza, bem menos delirante,
Fez enfim que a realidade eu visse.
Desconstruída toda minha crença,
Sem o propósito da esperança
Daquele que se sabe porque pensa,
Não sobrou do amor sequer lembrança.
E no torpor que a verdade me lança
Vejo toda a minha história como falsa.
E se ao fundo penso ouvir uma valsa
É só o meu desejo de voltar a ser criança.
Queria voltar a crer no amor
Mesmo sabendo que ele não existe.
Reconstruir dessa pungente dor
Uma outra verdade menos triste.
Queria crer no que um dia me disse
A Lua e a Estrela do poeta amante,
Mas a natureza, bem menos delirante,
Fez enfim que a realidade eu visse.
Desconstruída toda minha crença,
Sem o propósito da esperança
Daquele que se sabe porque pensa,
Não sobrou do amor sequer lembrança.
E no torpor que a verdade me lança
Vejo toda a minha história como falsa.
E se ao fundo penso ouvir uma valsa
É só o meu desejo de voltar a ser criança.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
INGENS...
.
"busque amor novas artes novo engenho..."
Como me impõe outro eu para ti
Tendo-me amor com tanto ódio?
Como te me manténs a mesma
Que odeio com tanto amor?
Como desafias Deus e Razão,
Fazendo-me cenário de tua guerra
Trocando armas por desprezo
Em seca voz que inda me chama?
O que queres se não te conheces?
A tudo enlaças e te resta vazia
A todos conquistas e segue sozinha
Para mais uma fantasia de felicidade...
Como crescer enraizada em doença?
Que amor valorizas em canto
Se teu porto é infinito oceano
E tua insegurança o pior veneno?
Que medo te maltrata tanto
Tendo sempre cartas na manga
Esquecendo que vida não é jogo
E Sentimento alheio não é aposta?
18/05/2010
"busque amor novas artes novo engenho..."
Como me impõe outro eu para ti
Tendo-me amor com tanto ódio?
Como te me manténs a mesma
Que odeio com tanto amor?
Como desafias Deus e Razão,
Fazendo-me cenário de tua guerra
Trocando armas por desprezo
Em seca voz que inda me chama?
O que queres se não te conheces?
A tudo enlaças e te resta vazia
A todos conquistas e segue sozinha
Para mais uma fantasia de felicidade...
Como crescer enraizada em doença?
Que amor valorizas em canto
Se teu porto é infinito oceano
E tua insegurança o pior veneno?
Que medo te maltrata tanto
Tendo sempre cartas na manga
Esquecendo que vida não é jogo
E Sentimento alheio não é aposta?
18/05/2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
CARTA
.
Sempre fui tão racional para os fatos que me cercaram que, cansado, comecei a duvidar das chamadas ‘coincidências’. A força da minha razão, nesse sentido e nos últimos tempos, foi perdendo a intensidade. E o golpe final foi seu olhar!
Justamente quando encontro a pessoa mais racional que conheci é que desvalorizo a minha cética razão e começo a crer, finalmente, que as coisas não são por acaso. E essa crença eu devo aos seus olhos!
Essa fé que hoje me acompanha me foi trazida aos poucos, aos pedaços... Partes erigidas com dor, coladas com lágrimas e lapidadas com acanhados sorrisos... Fui montando até ver um corpo, uma matéria sólida diante de mim. E você, por fim, trouxe-me o mais importante dessa obra, aquilo que faltava em mim. Você me trouxe a Alma dessa fé que hoje me acompanha...
Milhões de fatos, inumeráveis pegadas me trouxeram até aqui. Mas somente agora, com você ao meu lado, eu consigo enxergar esse caminho como um Todo, ver um só traçado, uno, e como tal necessário.
A “pedra de toque”, a claridade, a limpeza nessa lama que me via... Atribuo a você a luz dos meus olhos, o enxergar, como um toque de um anjo... Um Anjo! Sim, assim a vejo, no sentido de ‘meio’ à iluminação. aquele que estende a mão e em silêncio acalenta um apavorado coração.
Ainda que se sinta superestimada, não exagero. Pois assim minha alma a vê, vez que meus olhos, talvez telúricos demais, estão condenados a permanecerem cegos...
Não digo o que é, pois jamais saberei. Mas afirmo no hoje o que para mim representa, seu real valor, portanto. O símbolo do Bom, a imagem da paz, figura reta nesse incerto caminhar. Um farol a esse navegante que, como a esperança após longa escuridão, realoca-me entre o céu e o inferno, no meu lugar... Em mim!
Representa o fim das minhas escolhas, o foco à que tudo culmina. Diz-me, com sua calma, com suas ressalvas, que tudo valeu a pena. Reafirma em meu coração o que a razão há muito tem por certo.
Redesenha minha vida como exato espelho do que vivi, confortando, pois, essa insegura alma que muito desacreditou em si... e, assim, fortalece-me, renova-me, traz-me à vida como se nova vida fosse, mas fruto de mim mesmo, do que pensei ter morrido... mas que agora tenho como meu bem cuidado jardim. Que enfim me ajuda a regar, a cuidar e, principalmente, reensina-me a valorizar!
Como, então, não chamá-la de Anjo?
Como não chamá-la Amor?
Sempre fui tão racional para os fatos que me cercaram que, cansado, comecei a duvidar das chamadas ‘coincidências’. A força da minha razão, nesse sentido e nos últimos tempos, foi perdendo a intensidade. E o golpe final foi seu olhar!
Justamente quando encontro a pessoa mais racional que conheci é que desvalorizo a minha cética razão e começo a crer, finalmente, que as coisas não são por acaso. E essa crença eu devo aos seus olhos!
Essa fé que hoje me acompanha me foi trazida aos poucos, aos pedaços... Partes erigidas com dor, coladas com lágrimas e lapidadas com acanhados sorrisos... Fui montando até ver um corpo, uma matéria sólida diante de mim. E você, por fim, trouxe-me o mais importante dessa obra, aquilo que faltava em mim. Você me trouxe a Alma dessa fé que hoje me acompanha...
Milhões de fatos, inumeráveis pegadas me trouxeram até aqui. Mas somente agora, com você ao meu lado, eu consigo enxergar esse caminho como um Todo, ver um só traçado, uno, e como tal necessário.
A “pedra de toque”, a claridade, a limpeza nessa lama que me via... Atribuo a você a luz dos meus olhos, o enxergar, como um toque de um anjo... Um Anjo! Sim, assim a vejo, no sentido de ‘meio’ à iluminação. aquele que estende a mão e em silêncio acalenta um apavorado coração.
Ainda que se sinta superestimada, não exagero. Pois assim minha alma a vê, vez que meus olhos, talvez telúricos demais, estão condenados a permanecerem cegos...
Não digo o que é, pois jamais saberei. Mas afirmo no hoje o que para mim representa, seu real valor, portanto. O símbolo do Bom, a imagem da paz, figura reta nesse incerto caminhar. Um farol a esse navegante que, como a esperança após longa escuridão, realoca-me entre o céu e o inferno, no meu lugar... Em mim!
Representa o fim das minhas escolhas, o foco à que tudo culmina. Diz-me, com sua calma, com suas ressalvas, que tudo valeu a pena. Reafirma em meu coração o que a razão há muito tem por certo.
Redesenha minha vida como exato espelho do que vivi, confortando, pois, essa insegura alma que muito desacreditou em si... e, assim, fortalece-me, renova-me, traz-me à vida como se nova vida fosse, mas fruto de mim mesmo, do que pensei ter morrido... mas que agora tenho como meu bem cuidado jardim. Que enfim me ajuda a regar, a cuidar e, principalmente, reensina-me a valorizar!
Como, então, não chamá-la de Anjo?
Como não chamá-la Amor?
ESTÚPIDA PINTURA
ou Canhoto e Estrábico Pigmaleão
.
A - As cores do meu desejo
B - Quentes, intensas e fugazes,
C - Em cegas pinceladas
D - Espalharam-se como manchas d´alma
E - Sobre a tela da ilusão...
E - Disforme imagem num borrão
D - No instante que a inteligência falta,
C - Como no amor pela imperfeição criada,
B - Transforma-se em bela paisagem
A - Fazendo do monstro um lindo acerto.
F - Ilusória leveza em aquarela
G - De suaves tons e nítida forma
H - Completou-me pois traçado por mim.
I - E como um suspiro na falta de ar
J - Fez-se tão belo quanto meus sonhos...
J - Mas à mínima luz fez-se medonho.
I - E como solvente, fez o Saber apagar
H - Mostrando o avesso Eros e do sonho o fim
G - Na realidade que o engano transforma...
F - E a frágil tinta escorreu como lágrima que era!
.
A - As cores do meu desejo
B - Quentes, intensas e fugazes,
C - Em cegas pinceladas
D - Espalharam-se como manchas d´alma
E - Sobre a tela da ilusão...
E - Disforme imagem num borrão
D - No instante que a inteligência falta,
C - Como no amor pela imperfeição criada,
B - Transforma-se em bela paisagem
A - Fazendo do monstro um lindo acerto.
F - Ilusória leveza em aquarela
G - De suaves tons e nítida forma
H - Completou-me pois traçado por mim.
I - E como um suspiro na falta de ar
J - Fez-se tão belo quanto meus sonhos...
J - Mas à mínima luz fez-se medonho.
I - E como solvente, fez o Saber apagar
H - Mostrando o avesso Eros e do sonho o fim
G - Na realidade que o engano transforma...
F - E a frágil tinta escorreu como lágrima que era!
terça-feira, 25 de maio de 2010
CRONOS
REPISANDO...
Todos nós temos nossos anjos e demônios. E a essência humana é a ambivalência emocional. Reúno, pois, em mim, minha única desgraça que é também minha salvação: o Tempo. Cronos não é só meu deus, a quem temo e honro. É mais. É meu castigo, meu crime, minha pena e absolvição.
Ele me trai como um amante. Me instiga como o sexo que irá acontecer, para no fim me abençoar com a maior cura: o Esquecimento.
Não sei se sou eu quem o desafia com minha vontade de viver, com meu desejo sempre infantil de me satisfazer, me lambuzar de prazer e, então, me condena a um desafio ainda maior: matar-me a cada esquina. Pareço percorrer o traçado de Shiva que extermina para reconstruir em seguida, dando vida ao mundo que acabou de aniquilar. Dizem que meu deus devora os próprios filhos... Assim fosse... Pareço mais Prometeu que, no raro instante de não sofrimento, ainda guarda todas as cicatrizes do seu destino.
Lanças-me num tempo que não pertenço. Com que prazer me trazes a bola quando já levo bengala, ou a sabedoria quando só quero paixões?
Que triste prazer sentes ao me ver definhar ante a Fonte que não posso tocar, não posso beber, me saciar?
Por que me trazes a teu Templo se tua sacerdotisa é mera fumaça do que possuo? Mas uma fumaça que não mais sinto...
Quê me adianta se teus campos floridos só se revelam agora, após ter sulcado o mais árido deserto?
Não me oferta tua casa se de minhas mãos erigi meu castelo... não o perturbe, não o abale, pois já o fazes em ruínas por seu fugaz abrigo.
Para me dilacerar, usa de meu maior inimigo, o único que pode me ofertar desgraças e prazeres com a mesma intensidade. Transforma-me num duplo de sentidos e razões. E nessa dicotomia, me confunde e definho deixando perecer a beleza de cada caminho, sobrando-me somente cinzas.
“... Cinzas do tempo que persigo sem saber...”
Todos nós temos nossos anjos e demônios. E a essência humana é a ambivalência emocional. Reúno, pois, em mim, minha única desgraça que é também minha salvação: o Tempo. Cronos não é só meu deus, a quem temo e honro. É mais. É meu castigo, meu crime, minha pena e absolvição.
Ele me trai como um amante. Me instiga como o sexo que irá acontecer, para no fim me abençoar com a maior cura: o Esquecimento.
Não sei se sou eu quem o desafia com minha vontade de viver, com meu desejo sempre infantil de me satisfazer, me lambuzar de prazer e, então, me condena a um desafio ainda maior: matar-me a cada esquina. Pareço percorrer o traçado de Shiva que extermina para reconstruir em seguida, dando vida ao mundo que acabou de aniquilar. Dizem que meu deus devora os próprios filhos... Assim fosse... Pareço mais Prometeu que, no raro instante de não sofrimento, ainda guarda todas as cicatrizes do seu destino.
Lanças-me num tempo que não pertenço. Com que prazer me trazes a bola quando já levo bengala, ou a sabedoria quando só quero paixões?
Que triste prazer sentes ao me ver definhar ante a Fonte que não posso tocar, não posso beber, me saciar?
Por que me trazes a teu Templo se tua sacerdotisa é mera fumaça do que possuo? Mas uma fumaça que não mais sinto...
Quê me adianta se teus campos floridos só se revelam agora, após ter sulcado o mais árido deserto?
Não me oferta tua casa se de minhas mãos erigi meu castelo... não o perturbe, não o abale, pois já o fazes em ruínas por seu fugaz abrigo.
Para me dilacerar, usa de meu maior inimigo, o único que pode me ofertar desgraças e prazeres com a mesma intensidade. Transforma-me num duplo de sentidos e razões. E nessa dicotomia, me confunde e definho deixando perecer a beleza de cada caminho, sobrando-me somente cinzas.
“... Cinzas do tempo que persigo sem saber...”
sexta-feira, 21 de maio de 2010
SOU VAZIO
ستانيسلاوس
*
Um oco num buraco negro,
- Vazio impreenchível,
É o nada envolto de tudo!
Contemplando a completude
Sendo incompleto em tudo!
Não ser claro nem escuro,
Não ser força e nem medo,
A fragilidade esmagada
Mas eterna, simples, intacta
Ante a imensidão desprezada!
Não há no tempo um espaço
Não há futuro na cegueira
Nem na lembrança qualquer passado
Pois o presente, que nunca é,
É pelos sentidos transpassado.
Sem vida, sem cor, sem movimento
Incompreensível dinâmica do nada
- Ausência do sim e do não.
Sem extensão e atemporal
Mas sendo ainda pura intuição!
*
Um oco num buraco negro,
- Vazio impreenchível,
É o nada envolto de tudo!
Contemplando a completude
Sendo incompleto em tudo!
Não ser claro nem escuro,
Não ser força e nem medo,
A fragilidade esmagada
Mas eterna, simples, intacta
Ante a imensidão desprezada!
Não há no tempo um espaço
Não há futuro na cegueira
Nem na lembrança qualquer passado
Pois o presente, que nunca é,
É pelos sentidos transpassado.
Sem vida, sem cor, sem movimento
Incompreensível dinâmica do nada
- Ausência do sim e do não.
Sem extensão e atemporal
Mas sendo ainda pura intuição!
segunda-feira, 3 de maio de 2010
"O que fiz pra você, além de amar e crer?”
.
Crer e amar tornou-se um erro!
Mas o erro foi visto ainda crendo?
Ou sem a fé a ilusão se desvela
Num erro para quem ainda segue amando?
Amar e crer tornou-se um erro?
Ou a fé do amor nunca se engana?
Pois sendo fé, ilusão não há
E erro nunca é para quem sempre ama!
Ainda que o amor à fé encontre o não
Crer e amar torna-se um erro
Só quando não provém da solidão.
Pois havendo platéia ou cenário
Amar e crer torna-se um erro
Ao deixar de ser um exercício solitário!
Crer e amar tornou-se um erro!
Mas o erro foi visto ainda crendo?
Ou sem a fé a ilusão se desvela
Num erro para quem ainda segue amando?
Amar e crer tornou-se um erro?
Ou a fé do amor nunca se engana?
Pois sendo fé, ilusão não há
E erro nunca é para quem sempre ama!
Ainda que o amor à fé encontre o não
Crer e amar torna-se um erro
Só quando não provém da solidão.
Pois havendo platéia ou cenário
Amar e crer torna-se um erro
Ao deixar de ser um exercício solitário!
quinta-feira, 15 de abril de 2010
CONSTANTEMENTE
.
Saiba-se especial
Pois cura-me de um mal
Que mal conhece!
Não o divido, enquanto mal.
Mas mal me trincheira
E lhe entrego minha lágrima.
Esqueça minhas premissas
Se lhe sou conclusão,
Fruto da dor que me salva.
Tenha do escuro o Fim,
O Sentir que desvela a fé
E aflora o saber-se de si.
Qual caminho conhece
E qual irá percorrer,
Se só o Novo não é volta?
Não há verdades!
Não prometo ser,
Mas lhe juro estar!
Deixemos ao Tempo,
Não ao imutável passado,
O germinar dessa vida.
E quanto ao amor
Se zele e mo zele!
Pra mim, pra sempre!
... Constantemente!
Saiba-se especial
Pois cura-me de um mal
Que mal conhece!
Não o divido, enquanto mal.
Mas mal me trincheira
E lhe entrego minha lágrima.
Esqueça minhas premissas
Se lhe sou conclusão,
Fruto da dor que me salva.
Tenha do escuro o Fim,
O Sentir que desvela a fé
E aflora o saber-se de si.
Qual caminho conhece
E qual irá percorrer,
Se só o Novo não é volta?
Não há verdades!
Não prometo ser,
Mas lhe juro estar!
Deixemos ao Tempo,
Não ao imutável passado,
O germinar dessa vida.
E quanto ao amor
Se zele e mo zele!
Pra mim, pra sempre!
... Constantemente!
segunda-feira, 22 de março de 2010
... mais um fragmento...
Pelo que mais amei sinto nojo
Pelo que me acolhe, apatia.
Se o desejo sublima poesia
O meu não é menos tosco!
Meu corpo trai minha razão
Que sabiamente escolhe a calma
Mas no caos que navega minha alma
Querendo o sim, eu grito o não!
Toda paixão que a luz repele,
E enlaça a vida em perdição
Faz-me sofrer, negando-a, então.
Mas como um lobo retira a pele?
Negar a natureza conduz-me ao erro.
Negar o que fui, me deixa deserto.
Volto a ser cego e ao caminhar incerto
Pois é no saber que mora meu medo!
Pelo que me acolhe, apatia.
Se o desejo sublima poesia
O meu não é menos tosco!
Meu corpo trai minha razão
Que sabiamente escolhe a calma
Mas no caos que navega minha alma
Querendo o sim, eu grito o não!
Toda paixão que a luz repele,
E enlaça a vida em perdição
Faz-me sofrer, negando-a, então.
Mas como um lobo retira a pele?
Negar a natureza conduz-me ao erro.
Negar o que fui, me deixa deserto.
Volto a ser cego e ao caminhar incerto
Pois é no saber que mora meu medo!
quinta-feira, 11 de março de 2010
...Encontro
'
“Olhe o caminho de meus olhos
O traçado percorrido e o que vêem...
Veja neles o reflexo do Devir:
Espelho que não quer se encontrar...”
...
Será em vão tais pegadas?
Flutuantes, sem rastros,
Sem história e sem calos?
O mover-se da vida apagada?
Ou o revés da calma,
Funda, cindida e manchada,
O suor sobre a pele rachada
Do intenso viver de uma alma?
Que a canseira um dia me abata!
Cansado, suado, sangrando...
Mas que com as marcas que eu traga
Eu tenha tatuado o mundo que ando!
...
Não sou só paixão e dores,
Não fui só crença e apego.
Tive com o diabo amores,
Ficando-me dos anjos o medo!
Não creio no que dos sentidos ecoou!
Que os olhos fechados me inspire
E que a sabedoria o mistério não tire
Nem a certeza da dúvida que sou!
...
Esse corpo que não é seu,
Esses olhos que outra vida lhe mostra,
O caminho traçado sem volta
Assusta quem de si se perdeu...
Conte-me seus medos passados,
Encare a futura incerteza.
Deixe-se assim: o peito rasgado
Pra que te invada do medo a beleza!
Leve-me consigo a lhe carregar...
Doando-se para sugar minha vida,
Conduzindo-me no meu caminhar
Para que no seu seja você que me siga!
“Olhe o caminho de meus olhos
O traçado percorrido e o que vêem...
Veja neles o reflexo do Devir:
Espelho que não quer se encontrar...”
...
Será em vão tais pegadas?
Flutuantes, sem rastros,
Sem história e sem calos?
O mover-se da vida apagada?
Ou o revés da calma,
Funda, cindida e manchada,
O suor sobre a pele rachada
Do intenso viver de uma alma?
Que a canseira um dia me abata!
Cansado, suado, sangrando...
Mas que com as marcas que eu traga
Eu tenha tatuado o mundo que ando!
...
Não sou só paixão e dores,
Não fui só crença e apego.
Tive com o diabo amores,
Ficando-me dos anjos o medo!
Não creio no que dos sentidos ecoou!
Que os olhos fechados me inspire
E que a sabedoria o mistério não tire
Nem a certeza da dúvida que sou!
...
Esse corpo que não é seu,
Esses olhos que outra vida lhe mostra,
O caminho traçado sem volta
Assusta quem de si se perdeu...
Conte-me seus medos passados,
Encare a futura incerteza.
Deixe-se assim: o peito rasgado
Pra que te invada do medo a beleza!
Leve-me consigo a lhe carregar...
Doando-se para sugar minha vida,
Conduzindo-me no meu caminhar
Para que no seu seja você que me siga!
quarta-feira, 10 de março de 2010
Fragmentos de Insônia
Porque Morfeu não me acolhe...?
...A frieza da distância me afasta inda mais,
do paradoxo do calor de seu corpo,
que no meu tão bem se acolhe,
quando a si permite o encontro...
Porque Morfeu não me acolhe...?
...
Impune ao medo que se impõe(?)
A descontrução da aversão
- Anverso da atração -
... o Não que de Sim se reveste
E docemente enjaula a fera
Que investe de amor e versos-inversos
Contra brisas, sonhos, Quimeras...
Quisera seus medos banir,
- Ardis de promessas banais -
Mas assim como a calma
- que impõe toda pressa,
Atravessa insone minh´alma
Os próprios medos que outrora tivera
...
Porque não me acolhe Morfeu?
...A frieza da distância me afasta inda mais,
do paradoxo do calor de seu corpo,
que no meu tão bem se acolhe,
quando a si permite o encontro...
Porque Morfeu não me acolhe...?
...
Impune ao medo que se impõe(?)
A descontrução da aversão
- Anverso da atração -
... o Não que de Sim se reveste
E docemente enjaula a fera
Que investe de amor e versos-inversos
Contra brisas, sonhos, Quimeras...
Quisera seus medos banir,
- Ardis de promessas banais -
Mas assim como a calma
- que impõe toda pressa,
Atravessa insone minh´alma
Os próprios medos que outrora tivera
...
Porque não me acolhe Morfeu?
STELLA
A mais frágil vida que senti
Faz-se a mais forte em minha vida.
Trêmulos e delicados braços detêm-me ao abismo
E meus medos se desfazem em seu sorriso.
Braços que não chegam a me abraçar
Envolvem-me doces em conforto minha alma...
Pequena que em meu colo me nina
Acalanta seu pai que tanto chora...
Você que me cuida e me assiste em crescer,
Que me afugenta do escuro meus bichos-papões,
Com o brilho de seus vivos olhos, luz que me invade,
Mostra-me o caminho em dar-lhe a mão no seu traçar.
Faz-se a mais forte em minha vida.
Trêmulos e delicados braços detêm-me ao abismo
E meus medos se desfazem em seu sorriso.
Braços que não chegam a me abraçar
Envolvem-me doces em conforto minha alma...
Pequena que em meu colo me nina
Acalanta seu pai que tanto chora...
Você que me cuida e me assiste em crescer,
Que me afugenta do escuro meus bichos-papões,
Com o brilho de seus vivos olhos, luz que me invade,
Mostra-me o caminho em dar-lhe a mão no seu traçar.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
O Sol e a Estrela
Era uma vez um Sol conhecido pelo seu imenso poder de a todos iluminar. Ele aquecia e contagiava a todos que em sua luz se banhavam.Todos o adoravam, brincavam sob seu calor, se irradiavam de alegria desde quando chegava até o último segundo antes de partir.
Ele mesmo era muito feliz e dessa felicidade emanava todo o seu contagiante bem-estar. Acontece, porém, que embora todos se alegravam com sua presença, ninguém dizia pra ele o quão especial ele realmente era. Assim, o Sol não se sabia tão único, não sabia quem realmente ele era...
E por isso, embora ele fosse muito feliz, às vezes ele sentia um certo vazio dentro de si, como se todo aquele calor que emanava não fosse suficiente para aquecer a si próprio.
Houve um dia, justamente quando sentia forte esse vazio, quando já estava quase partindo, no momento mais solitário de seu luminoso dia, ele avistou ao longe uma estrela que queria começar a brilhar.
A Estrela, porém, há muito tempo já admirava aquele Sol e tanto que, timidamente, aparecia todo final de tarde e contemplava em silêncio aquele sol indo embora sozinho todos os dias.
A Estrela se perguntava qual o segredo pra tanto esplendor, como ele conseguia ter um brilho tão intenso e contagiante que a inspirava todos os dias. A felicidade do Sol, o seu brilho foi tanto que a Estrela acabou se apaixonando por ele.
A estrela era tímida, contemplativa, gostava de admirar, ao contrário do Sol que era sempre admirado, ela raramente era observada por alguém. Não inspirava ninguém, não contagiava ninguém e por isso, ao longo dos tempos aprendeu a conviver com o silêncio e com seu brilho quase imperceptível.
Mas naquele fim de tarde sentira algo que jamais esqueceria. O Astro-Rei, o admirado Sol tinha olhado-a nos olhos, tinha reparado no seu pequeno brilho... Mesmo que por poucos instantes, foi suficiente para que seu brilho fosse diferente aquela noite... e todas as noites a partir daquela!
Nessa mesma tarde, o Sol despedindo-se para seu refúgio, ao ver aquela pequena Estrela, sentiu-se instigado em conhecê-la, em entender aquela misteriosa timidez e foi dormir sonhando com ela, sentindo-se mais aquecido aquela noite.
Na manhã seguinte o Sol levantou mais cedo e correu para ver se encontrava aquela Estrela e, ao olhar em volta, viu que de todas as milhares de estrelas, uma brilhava diferente, era ela! Mas pouco tempo tiveram, pouco tempo seus olhos se cruzaram e a Estrela precisou ir embora para mais um dia...apagada. Mas dessa vez ela esboçou um sorriso quando partia.
Quando se encontraram novamente já estavam completamente apaixonados um pelo outro. Já sonhavam com o momento que se encontrariam novamente, que se olhariam nos olhos e que trocariam aquilo que lhes faltava – a Estrela acreditava que o Sol, pelo imenso brilho que emanava, era a Alma que lhe faltava, O Sol acreditava que a Estrela, pelo mundo diferente que lhe apresentava, era a verdadeira Vida dele.
A Estrela tentava aprender do Sol como se permitir brilhar mais intensamente e ensinava ao Sol como também contemplar e admirar, falava pra ele o quanto ele era especial, o quanto ele era essencial para a vida de todos que estavam a sua volta e do quanto ele tinha que saber o seu valor.
O Sol brilhava ainda mais, pois sentia o seu vazio indo embora. Admirava da Estrela sua poesia e romantismo e queria trazê-la pra si, para consigo brilhar e a todos contagiar com aquilo que agora ele admirava.
Ambos queriam estar sempre juntos, mas eles começaram a observar que algo os impedi de se encontrarem.
Sempre que o Sol chegava, a Estrela logo ia embora, apagava-se na sua realidade... Sempre que a Estrela podia estar presente, o Sol já triste, recolhia-se nostálgico em seu ocaso.
Num primeiro momento, quando o encontro entre eles apagavam os problemas que os cercavam, todos os dias contemplavam um Sol irradiante, luminoso, sem ser escaldante, era sereno, feliz! As noites eram lindas, parecia que todas as estrelas se contagiavam daquela que mais brilhava e inspirava os apaixonados... qualquer um que olhasse para o céu naquelas noites, detinha os olhos naquela rara beleza.
Mas, quando perceberam que seus encontros não duravam mais que poucos segundos no céu, quando desejaram terem sempre o outro próximo ao peito, tanto os dias quanto as noites tornaram-se tristes, estavam sempre veladas pelas nuvens que choravam.
O Sol e a Estrela estavam tristes, o brilho de outrora não mais se reconhecia neles. Eles sabiam o que queriam, mas não sabiam o que fazer.
Foi então que o Sol resolveu consultar as árvores que, por serem seres antigos, assim como os pensamentos, ele acreditou que podiam esclarecer e solucionar o problema dessa difícil união.
As árvores porém, que estava adorando as chuvas, explicaram ao Sol que justamente por ele ser Sol e ela Estrela, sempre que ele surgisse no céu, a Estrela não poderia mais ser vista. “A Estrela”, explicaram as árvores, “nunca poderá conviver com você, ela só pode ser vista a noite, e você de dia. É a natureza de vocês. É a sua claridade que a apaga”.
O Sol, então, ficou ainda mais triste, pois ele, além de ver impossível aquele amor, sentia-se culpado pelo brilho da estrela estar se apagando e começou a acreditar que ela deveria viver sem ele, somente durante a noite.
Assim, resolveu chegar todos os dias o mais tarde possível e ir embora o mais cedo que pudesse. Pois desse modo, mesmo distante de seu amor, acreditava que a estrela poderia brilhar por mais tempo.
Mas na verdade, com o seu pouco tempo no céu, ele acabou provocando um rigoroso inverno e fez com que de fato a Estrela ficasse mais tempo no céu, só que por todo o tempo que ali estava, o seu brilho era triste e muito ela sofria pela ausência do seu amor Sol. Ela andava triste pois além de ter perdido o seu grande amor, com o inverno que se abateu sobre todos, ninguém passeava naquelas noites geladas... e ela estava mais apagada do que nunca.
Numa dessas noites frias, quando a Estrela já não via o Sol por muito tempo, passaram por ela alguns pássaros migratórios – que voavam acima das nuvens. Ao verem a tristeza daquela opaca Estrela, perguntaram a ela o motivo de tanto desolamento.
A Estrela contou a sua história e de toda a impossibilidade de se encontrarem e permanecerem juntos, disse que lhe restava tão somente esquecê-lo como ele já devia tê-la esquecido.
Quando acabou de contar, imaginando que seria consolada pelos acolhedores pássaros, pra sua surpresa viu todos eles gargalhando. Surpresa, a Estrela pediu uma explicação, foi quando o mais jovem deles falou:
“Será, minha cara Estrela, que vocês não percebem o quanto estão sendo ingênuos? Vocês só não estavam conseguindo permanecer juntos porque estavam se vendo com olhos alheios. Vocês não estavam se enxergando como realmente são pois não estava usando os próprios olhos, o próprio coração...
“Quero lhe dizer, minha triste Estrela, que não há qualquer motivo para esse desencontro! Vocês só são diferentes aos nossos olhos. Aqui na Terra, para nós, você sempre será Estrela e ele Sol. Mas entre vocês, ele e você são, ao mesmo tempo, tanto Estrelas quanto Sóis!
“Vocês têm a mesma natureza! E tanto isso é verdade que para os planetas que estão à sua volta, você é o Sol e ele a Estrela. Vocês só não se encontram se continuarem a se verem com os nossos olhos terrenos, os quais não enxergam através das nuvens, do espaço e do mundo que seus corações moram.
“Não só você é a Vida dele e ele a sua Alma. Mas vocês são Vida e Alma um do outro!
“Vocês, juntos, brilham mais! Nenhum dos dois ofusca o outro, não há motivo de culpa, não há porque desistir de um amor tão lindo, não há porque ser triste – O verdadeiro amor só é impossível aos olhos míopes. O amor verdadeiro é sempre muito simples!”
Ele mesmo era muito feliz e dessa felicidade emanava todo o seu contagiante bem-estar. Acontece, porém, que embora todos se alegravam com sua presença, ninguém dizia pra ele o quão especial ele realmente era. Assim, o Sol não se sabia tão único, não sabia quem realmente ele era...
E por isso, embora ele fosse muito feliz, às vezes ele sentia um certo vazio dentro de si, como se todo aquele calor que emanava não fosse suficiente para aquecer a si próprio.
Houve um dia, justamente quando sentia forte esse vazio, quando já estava quase partindo, no momento mais solitário de seu luminoso dia, ele avistou ao longe uma estrela que queria começar a brilhar.
A Estrela, porém, há muito tempo já admirava aquele Sol e tanto que, timidamente, aparecia todo final de tarde e contemplava em silêncio aquele sol indo embora sozinho todos os dias.
A Estrela se perguntava qual o segredo pra tanto esplendor, como ele conseguia ter um brilho tão intenso e contagiante que a inspirava todos os dias. A felicidade do Sol, o seu brilho foi tanto que a Estrela acabou se apaixonando por ele.
A estrela era tímida, contemplativa, gostava de admirar, ao contrário do Sol que era sempre admirado, ela raramente era observada por alguém. Não inspirava ninguém, não contagiava ninguém e por isso, ao longo dos tempos aprendeu a conviver com o silêncio e com seu brilho quase imperceptível.
Mas naquele fim de tarde sentira algo que jamais esqueceria. O Astro-Rei, o admirado Sol tinha olhado-a nos olhos, tinha reparado no seu pequeno brilho... Mesmo que por poucos instantes, foi suficiente para que seu brilho fosse diferente aquela noite... e todas as noites a partir daquela!
Nessa mesma tarde, o Sol despedindo-se para seu refúgio, ao ver aquela pequena Estrela, sentiu-se instigado em conhecê-la, em entender aquela misteriosa timidez e foi dormir sonhando com ela, sentindo-se mais aquecido aquela noite.
Na manhã seguinte o Sol levantou mais cedo e correu para ver se encontrava aquela Estrela e, ao olhar em volta, viu que de todas as milhares de estrelas, uma brilhava diferente, era ela! Mas pouco tempo tiveram, pouco tempo seus olhos se cruzaram e a Estrela precisou ir embora para mais um dia...apagada. Mas dessa vez ela esboçou um sorriso quando partia.
Quando se encontraram novamente já estavam completamente apaixonados um pelo outro. Já sonhavam com o momento que se encontrariam novamente, que se olhariam nos olhos e que trocariam aquilo que lhes faltava – a Estrela acreditava que o Sol, pelo imenso brilho que emanava, era a Alma que lhe faltava, O Sol acreditava que a Estrela, pelo mundo diferente que lhe apresentava, era a verdadeira Vida dele.
A Estrela tentava aprender do Sol como se permitir brilhar mais intensamente e ensinava ao Sol como também contemplar e admirar, falava pra ele o quanto ele era especial, o quanto ele era essencial para a vida de todos que estavam a sua volta e do quanto ele tinha que saber o seu valor.
O Sol brilhava ainda mais, pois sentia o seu vazio indo embora. Admirava da Estrela sua poesia e romantismo e queria trazê-la pra si, para consigo brilhar e a todos contagiar com aquilo que agora ele admirava.
Ambos queriam estar sempre juntos, mas eles começaram a observar que algo os impedi de se encontrarem.
Sempre que o Sol chegava, a Estrela logo ia embora, apagava-se na sua realidade... Sempre que a Estrela podia estar presente, o Sol já triste, recolhia-se nostálgico em seu ocaso.
Num primeiro momento, quando o encontro entre eles apagavam os problemas que os cercavam, todos os dias contemplavam um Sol irradiante, luminoso, sem ser escaldante, era sereno, feliz! As noites eram lindas, parecia que todas as estrelas se contagiavam daquela que mais brilhava e inspirava os apaixonados... qualquer um que olhasse para o céu naquelas noites, detinha os olhos naquela rara beleza.
Mas, quando perceberam que seus encontros não duravam mais que poucos segundos no céu, quando desejaram terem sempre o outro próximo ao peito, tanto os dias quanto as noites tornaram-se tristes, estavam sempre veladas pelas nuvens que choravam.
O Sol e a Estrela estavam tristes, o brilho de outrora não mais se reconhecia neles. Eles sabiam o que queriam, mas não sabiam o que fazer.
Foi então que o Sol resolveu consultar as árvores que, por serem seres antigos, assim como os pensamentos, ele acreditou que podiam esclarecer e solucionar o problema dessa difícil união.
As árvores porém, que estava adorando as chuvas, explicaram ao Sol que justamente por ele ser Sol e ela Estrela, sempre que ele surgisse no céu, a Estrela não poderia mais ser vista. “A Estrela”, explicaram as árvores, “nunca poderá conviver com você, ela só pode ser vista a noite, e você de dia. É a natureza de vocês. É a sua claridade que a apaga”.
O Sol, então, ficou ainda mais triste, pois ele, além de ver impossível aquele amor, sentia-se culpado pelo brilho da estrela estar se apagando e começou a acreditar que ela deveria viver sem ele, somente durante a noite.
Assim, resolveu chegar todos os dias o mais tarde possível e ir embora o mais cedo que pudesse. Pois desse modo, mesmo distante de seu amor, acreditava que a estrela poderia brilhar por mais tempo.
Mas na verdade, com o seu pouco tempo no céu, ele acabou provocando um rigoroso inverno e fez com que de fato a Estrela ficasse mais tempo no céu, só que por todo o tempo que ali estava, o seu brilho era triste e muito ela sofria pela ausência do seu amor Sol. Ela andava triste pois além de ter perdido o seu grande amor, com o inverno que se abateu sobre todos, ninguém passeava naquelas noites geladas... e ela estava mais apagada do que nunca.
Numa dessas noites frias, quando a Estrela já não via o Sol por muito tempo, passaram por ela alguns pássaros migratórios – que voavam acima das nuvens. Ao verem a tristeza daquela opaca Estrela, perguntaram a ela o motivo de tanto desolamento.
A Estrela contou a sua história e de toda a impossibilidade de se encontrarem e permanecerem juntos, disse que lhe restava tão somente esquecê-lo como ele já devia tê-la esquecido.
Quando acabou de contar, imaginando que seria consolada pelos acolhedores pássaros, pra sua surpresa viu todos eles gargalhando. Surpresa, a Estrela pediu uma explicação, foi quando o mais jovem deles falou:
“Será, minha cara Estrela, que vocês não percebem o quanto estão sendo ingênuos? Vocês só não estavam conseguindo permanecer juntos porque estavam se vendo com olhos alheios. Vocês não estavam se enxergando como realmente são pois não estava usando os próprios olhos, o próprio coração...
“Quero lhe dizer, minha triste Estrela, que não há qualquer motivo para esse desencontro! Vocês só são diferentes aos nossos olhos. Aqui na Terra, para nós, você sempre será Estrela e ele Sol. Mas entre vocês, ele e você são, ao mesmo tempo, tanto Estrelas quanto Sóis!
“Vocês têm a mesma natureza! E tanto isso é verdade que para os planetas que estão à sua volta, você é o Sol e ele a Estrela. Vocês só não se encontram se continuarem a se verem com os nossos olhos terrenos, os quais não enxergam através das nuvens, do espaço e do mundo que seus corações moram.
“Não só você é a Vida dele e ele a sua Alma. Mas vocês são Vida e Alma um do outro!
“Vocês, juntos, brilham mais! Nenhum dos dois ofusca o outro, não há motivo de culpa, não há porque desistir de um amor tão lindo, não há porque ser triste – O verdadeiro amor só é impossível aos olhos míopes. O amor verdadeiro é sempre muito simples!”
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
...Acenou pra si um "Adeus"...
.
Foi-se por si, triste e só.
Sozinha lamentar de solidão,
Que na recusa da visão se impôs!
Foi! Culpando o mundo por sua falta
Por sua falta de coragem ante o mundo,
E a fé no tempo... que não houve...
Se não crê em si, quê outro?
Um outro, ainda, que se impõe triste,
Clamando ao tempo esquecimento.
Ter reais seus pesadelos
Descrer nos sonhos, em seu peito
Assacando ao Bem a própria morte.
Mas há morte no primeiro outro,
A sua morte nesse outro aqui
Que um dia foi, junto, o seu melhor você!
Foi-se por si, triste e só.
Sozinha lamentar de solidão,
Que na recusa da visão se impôs!
Foi! Culpando o mundo por sua falta
Por sua falta de coragem ante o mundo,
E a fé no tempo... que não houve...
Se não crê em si, quê outro?
Um outro, ainda, que se impõe triste,
Clamando ao tempo esquecimento.
Ter reais seus pesadelos
Descrer nos sonhos, em seu peito
Assacando ao Bem a própria morte.
Mas há morte no primeiro outro,
A sua morte nesse outro aqui
Que um dia foi, junto, o seu melhor você!
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