quinta-feira, 11 de março de 2010

...Encontro

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“Olhe o caminho de meus olhos
O traçado percorrido e o que vêem...
Veja neles o reflexo do Devir:
Espelho que não quer se encontrar...”
...
Será em vão tais pegadas?
Flutuantes, sem rastros,
Sem história e sem calos?
O mover-se da vida apagada?

Ou o revés da calma,
Funda, cindida e manchada,
O suor sobre a pele rachada
Do intenso viver de uma alma?

Que a canseira um dia me abata!
Cansado, suado, sangrando...
Mas que com as marcas que eu traga
Eu tenha tatuado o mundo que ando!
...
Não sou só paixão e dores,
Não fui só crença e apego.
Tive com o diabo amores,
Ficando-me dos anjos o medo!

Não creio no que dos sentidos ecoou!
Que os olhos fechados me inspire
E que a sabedoria o mistério não tire
Nem a certeza da dúvida que sou!
...
Esse corpo que não é seu,
Esses olhos que outra vida lhe mostra,
O caminho traçado sem volta
Assusta quem de si se perdeu...

Conte-me seus medos passados,
Encare a futura incerteza.
Deixe-se assim: o peito rasgado
Pra que te invada do medo a beleza!

Leve-me consigo a lhe carregar...
Doando-se para sugar minha vida,
Conduzindo-me no meu caminhar
Para que no seu seja você que me siga!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Fragmentos de Insônia

Porque Morfeu não me acolhe...?

...A frieza da distância me afasta inda mais,
do paradoxo do calor de seu corpo,
que no meu tão bem se acolhe,
quando a si permite o encontro...

Porque Morfeu não me acolhe...?

...

Impune ao medo que se impõe(?)
A descontrução da aversão
- Anverso da atração -
... o Não que de Sim se reveste
E docemente enjaula a fera
Que investe de amor e versos-inversos
Contra brisas, sonhos, Quimeras...

Quisera seus medos banir,
- Ardis de promessas banais -
Mas assim como a calma
- que impõe toda pressa,
Atravessa insone minh´alma
Os próprios medos que outrora tivera
...

Porque não me acolhe Morfeu?

STELLA

A mais frágil vida que senti
Faz-se a mais forte em minha vida.
Trêmulos e delicados braços detêm-me ao abismo
E meus medos se desfazem em seu sorriso.

Braços que não chegam a me abraçar
Envolvem-me doces em conforto minha alma...
Pequena que em meu colo me nina
Acalanta seu pai que tanto chora...

Você que me cuida e me assiste em crescer,
Que me afugenta do escuro meus bichos-papões,
Com o brilho de seus vivos olhos, luz que me invade,
Mostra-me o caminho em dar-lhe a mão no seu traçar.