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Para você que nunca vejo,
(E quando o busco no espelho
Se esconde num terceiro),
Tenho tanto o que dizer,
Mas tanto me impõe a sentir.
Preciso saber a sua face...
Se me apavora ou me atrai.
Não me culpe como Eros a Psique.
Mas ao revés, como eco de mim,
Arraste-me às minhas profundezas.
Preciso lhe confessar meus medos
Desabafar minhas inseguranças
Preciso calma! Mas me atropela...
Não me deixa refletir e me invade
Lançando-me atado ao escuro!
Se minha reflexão não me reflete
E se sou ação e o outro a forma
(dois que se encontram e não se são)
Você não é ato nem espaço...
Seria o Tempo, a Idéia ou o Nada?
*.*.*
Mônade, Pulsão ou Potência?
Religião, negação ou inércia?
Fel, vício ou latência?
Indecência – castidade e quimera?
... Um vazio a que recorro como mito!
Quem é e o que me faz?
Esconde-se estando sempre em mim.
Indefine-me e me obriga a ser.
Alegra-me a vida desejando-me a morte
E dela me afasta me sufocando de querer...
Um sopro – hálito da treva
Anĭma e Thânatos enlaçados
O vazio entre o céu e a terra,
O peso entre a terra e a morte.
Silêncio que não me deixa dormir...
Permita-me a calma, olhos tristes.
Não me espreite sombrio e lhe juro esquecer,
Descanse também e não divida sua dor.
Saia de mim ou se esconda de vez!
Dê-me essa arma... ou aperte o gatilho!
25.10.2010
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