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Como saber o quanto o Tempo padece,
Sozinho e eterno, da dor de nos ver passar?
Como dizer da angustia do Real, a todo instante,
Obrigando-se a verdade nos mostrar?
Se somos nós que nos perdemos,
Se somos nós que de nós morremos,
Porque, sendo-nos mero instante e poeira,
É o peito de tais senhores que a dor permeia?
Condôo-me com a solidão do Tempo,
Que nos seu ritimado algoz ofício,
Assiste inerte o nascer de sua obra
De breve viver destinada ao sacrifício.
Reconheço o angustiante conflito do Real
Que só oferta paz ao ser desprezado
E, junto aos raros que a si se sujeitam,
Chora por ter o sombrio espelho revelado.
Nossa cegueira nos faz imensos e únicos
A ignorância nos faz sábios da ilusão
E nesse instante, inconsoláveis,
Lamentam o destino os dois velhos irmãos.
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