segunda-feira, 23 de abril de 2012
HERANÇA DE NARCÍSO
Amo a projeção ideada de mim.
E quem de fora amo,
Amo somente o que a reflete.
Amo sua metamorfose constante,
Seu brilho fugaz, sua nômade dor.
... E deixo de amar quem não a
acompanhe.
Não amo o que me impressiona
Mas a impressão que deixo.
E o que me fora ideal nascera de
mim.
Não projeto no outro o que um dia
amei,
Pois se um dia eu amei um (primeiro)
outro
Foi somente enquanto esse outro eu
fui.
Se se sabe impossível o desejo de si
Que renasce de si para a
insatisfação.
Por isso não há espelho que me baste
E tal falta, embora chegue a
dilacerar
É o que me integra e me faz desejar.
E essa contraditória angústia que
amo
Renova-me como um sonho a esperança
Para a ilusão de um dia me
desencontrar.
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