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A quem devo gritar quando a dor me sufoca,
Se o passado que me matou já está morto,
Se o futuro que espreito não me vê,
E o presente que me aporta me ignora?
A quem devo gritar quando o escuro me abate,
Se todos à minha volta estão de costas,
Quando todos são surdos e só enxergam espelhos,
E sequer o tempo faz com que meu pranto acabe?
Silenciar minha solidão prometo,
Encerrando-a calada nessas letras
Que a ninguém nunca remeto.
Mas... e a esperança de nova canção?
Onde a escondo desse imaturo peito
Se como criança me revolve o coração?
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