(ou uma dedicatória a um amigo estrangeiro)
Sinceramente não sou sincero com você.
Descobri que sou mais simples que pensava
Me achava a vastidão do Querer,
Mas sou pleno vazio, o silêncio da estrada...
Minha amada na verdade nunca existiu
Nem em sonhos, atos ou palavras
Habitava tão somente esse frio,
Fingindo acalentar falsa alma assolada.
...
Sou o Silêncio – um deserto escuro e frio,
Mera ilusão, triste e sombria.
Vazia emoção num peito vazio,
Que acreditou que todo sentimento continha.
A inércia, uma flor seca, o pó num canto,
O esquecimento, a solidão da velhice
Que insiste em sempre novo pranto
Dissimular a apatia num olhar triste.
...
Nas injustas tentativas de amar
Buscava somente curar-me de mim,
Mas assim como o perverso engendrar,
Enganando-me conheci o meu fim:
Sou estrangeiro de qualquer sentimento
Como alheio em inanimado viver
Fazendo sofrer as pedras, o velho e o rebento
Mas sem culpa, pois sigo sem o outro eu perceber.
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