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“Olhe o caminho de meus olhos
O traçado percorrido e o que vêem...
Veja neles o reflexo do Devir:
Espelho que não quer se encontrar...”
...
Será em vão tais pegadas?
Flutuantes, sem rastros,
Sem história e sem calos?
O mover-se da vida apagada?
Ou o revés da calma,
Funda, cindida e manchada,
O suor sobre a pele rachada
Do intenso viver de uma alma?
Que a canseira um dia me abata!
Cansado, suado, sangrando...
Mas que com as marcas que eu traga
Eu tenha tatuado o mundo que ando!
...
Não sou só paixão e dores,
Não fui só crença e apego.
Tive com o diabo amores,
Ficando-me dos anjos o medo!
Não creio no que dos sentidos ecoou!
Que os olhos fechados me inspire
E que a sabedoria o mistério não tire
Nem a certeza da dúvida que sou!
...
Esse corpo que não é seu,
Esses olhos que outra vida lhe mostra,
O caminho traçado sem volta
Assusta quem de si se perdeu...
Conte-me seus medos passados,
Encare a futura incerteza.
Deixe-se assim: o peito rasgado
Pra que te invada do medo a beleza!
Leve-me consigo a lhe carregar...
Doando-se para sugar minha vida,
Conduzindo-me no meu caminhar
Para que no seu seja você que me siga!
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