Pelo que mais amei sinto nojo
Pelo que me acolhe, apatia.
Se o desejo sublima poesia
O meu não é menos tosco!
Meu corpo trai minha razão
Que sabiamente escolhe a calma
Mas no caos que navega minha alma
Querendo o sim, eu grito o não!
Toda paixão que a luz repele,
E enlaça a vida em perdição
Faz-me sofrer, negando-a, então.
Mas como um lobo retira a pele?
Negar a natureza conduz-me ao erro.
Negar o que fui, me deixa deserto.
Volto a ser cego e ao caminhar incerto
Pois é no saber que mora meu medo!
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