
Se é um adeus, eu não sei.
Apesar de tê-lo vivido intensamente por tudo onde andei, nunca sei reconhecê-lo claramente. Quando julgo vê-lo é sempre envolto por uma nuvem árida, passageira seguida por uma imensa esperança do contínuo reencontrar-se, esperança de viver mais um momento, de amar mais uma vez, de sentir o calor e o desejo de mais um beijo que tem em cada instante de duração a certeza de haver um próximo.
Nunca quis aprender a reconhecê-lo, por mais que já tenha sentido-o, sofrido-o e jamais aceitado em todas inúmeras vezes que deparei-me com seu escuro frio de uma noite solitária.
Peço desculpa pela minha persistente mania de racionalidade, principalmente quando não a devemos usar, mas foi o modo que me entendi ou que me engano de entender-me.
Gostaria que você pudesse, ainda dentro de sua inerente e ingênua desconfiança, acompanhar por um luar as tortuosas ladeiras da minha consciência contaminada pela sede de conhecer o que há de loucura em cada segundo da nossa existência, nadar por entre abismos despida do medo de se perder, sem a vergonha que lhe impuseram, para então, compreender instintivamente minha falta de ar e excesso de paixão diante o mundo.
Se se tornam tristes as minhas palavras é por que não posso lhe pedir entendimento, rogando-lhe, então, o mais honesto perdão. Lanço-me a vida em sua crença, necessariamente gratuita, para poder perdoar-me sem eu poder confessar.
Meu Deus! Olhe para nós! O que estamos fazendo? Deixamos nosso olhos umedecerem sem saber porque... Choro por nosso destino. Adianto-me obscuramente no tempo e já lhe peço perdão por ter seu caminho cruzado ao meu.
Se não entende minha dor e por que a faço sofrer, por favor tenha fé em meus olhos. Todas as noites rezo por você, rezo para jamais machucá-la, rezo para ser perdoado do mal que lhe faço. Quando em meu quarto sozinho vejo seus olhos, os meus derramam um mar que em sua presença me afogo internamente sem ninguém ver. Estaria eu embrutecendo para não conseguir chorar deixando crescer o nó em minha garganta, traindo-me então?
Machuco-a! Pode não ver, pode não querer ver, mais é um fato. Machuco-a quando querendo, nego-me; quando não querendo, entrego-me; quando estou perto e meus olhos se fecham chorando para si uma vontade de correr não sei pra onde; toda vez que engulo seco a vontade de descobri-la sem ter os pensamentos que me corroem, mas que me mantêm vivo.
Sim, estou lhe traindo, não quando estou longe, mas quando perto, pois é onde me traio e traindo-me, não sou nada além de um fantasma inventado por nossos sonhos.
É dessa dor que vivo, da dor causado pelo medo de lhe causar dor, que então já faço. Por isso choro os seus inocentes olhos sacrificados por meu egoísmo de sobreviver sem sede enquanto espero a ceia. Engano-me! Mais nobre morrer a fazer-lhe sequer uma vez a lágrima escorrer em sua fiel face.
Minha misericórdia está no seu viver, no seu amadurecer e no acreditar cego de que a vida vale a pena não importando onde ela vá parar. Meu consolo será seu tardio agradecer ao dizer para si “eu vivi, amei, chorei e sofri e não me arrependo pois trago comigo quem sou”. O que sustenta essa esperança são as pequenas coisas que podem passar despercebidas, pois é isso: o não saber, que a deixa ainda mais bonita... Quanto a mim, só resta agradecer sua existência e por ousar sentir-me, e esperar seu perdão pois sei que virá junto com seu crescer.
Minha herança para sua vida não passará de uma fumaça dispersa num tempo esquecido, mas a beleza que ela contém e para sempre manterá está nos seus olhos, no modo em que a vê, na madura serenidade que ainda agora lhe cobro. Há coisas que não devem ser entendidas, pois é justamente no não-entender que repousa toda a beleza. Às vezes precisamos regar nossas rosas com lágrimas, outras vezes com sangue, ou ainda com suor; e sabe porque são as mais bonitas? As das lágrimas, não pelo sal, mas pela coragem de se deixar transbordar; as do sangue, não pela dor, mas por sua cor que deixa viva e não apática todas as paixões; e as do suor, não pela canseira, mas pela conquista. Não peço que entenda, mas que aceite minha dor e me afague em tuas lembranças como o desejo do mistério.
Desculpe-me pela minha ânsia instintiva de conhecer em mim todos os sentimentos e que a use para isso, pois também me deixo usar e excito em seu corpo e em sua mente a curiosidade de sentir o gosto da vida mesmo que a tenha como preço. Sentir o calor deixando-se queimar numa fogueira para ver seu peito ferver e ouvir o seu próprio crepitar no consumir-se das emoções.
Somos formados pelo que vivemos, pelo que sentimos, pelo que construímos e destruímos. Vejo-a bela, viva, corajosa sem mim, e em sua coragem deposito minha fé e minha insistência de ver seus olhos mais uma vez, se ainda ouso senti-la, mesmo sacrificando-nos, vejo meu ato legitimado no descobrir-se inadiável que trago em mim, no nascer à cada sorriso, ainda que triste, que me oferece seu rosto num momento de dúvida.
Gostaria de fazê-la sorrir o resto da vida ou de ter seus olhos sempre úmidos de satisfação pairados sobre os meus que lhe contemplariam incansáveis para além do tempo e da vida que nos envolve, mas não poderei... Consigo então existir sob uma forjada paz quando penso que ao olhar para trás você sentirá algo florescendo em seu rosto, tímido, mas sincero e malicioso sorriso de ter vivido suas paixões, um certo brilho nos olhos que poucos irão reconhecer ou mesmo notar, a não ser aqueles que saibam distinguir uma pessoa que passa por aqui de uma pessoa que vive e degusta cada intenso instante de vida que lhe foi oferecida.
Tento encontrar em minhas palavras e na esperança que vejo em seu delicado rosto a minha salvação, a minha nobreza, a minha lealdade a meu coração. Mas porque à noite algo me sufoca tanto que não consigo nem chorar? Talvez porque eu preveja a dor nos seus olhos ainda não preparados para as desavenças do mundo; ora, de onde vem essa deliciosa curiosidade de vida que me instiga a crer nas paixões? Talvez seja eu que não esteja preparado. Não sei, nesse momento, o que pensar, meu próximo passo está turvo por um sentimento inefável, mesclado de dúvida, medo, crença, paixão e amor, de loucura e paz, e nesse momento rezo com minhas lágrimas que não vejo pois me implodem...
Abaixo a cabeça, sangra-me os joelhos e meu peito, inundo-me do medo que pensei estar extinto na minha procura e lhe peço perdão. Um perdão carente querendo ficar ao abrigo de sua inocência e, ao mesmo tempo feroz como a revolta contra Deus, mas amputado, querendo ser escorraçado de sua vida como forma de absolvição.
O que esperar? Se é o senhor de todo adeus e do fim de toda dor absolva-nos Tempo, destrua minha angustia, dilacere o que acredito e faça-me renascer. Que inútil e contraditório rogar o meu, se ainda quero viver o caminho e apreciá-lo.
Dê-me piedade seus olhos para eu poder dormir e para poder caminhar, pois agora não sei onde estou e não sei mais o que dizer, lhe implorar talvez o que não possa dar, e se não pode, finja pôr-me no seu colo e fazer-me adormecer como alguém desprotegido e perdido numa floresta escura que criei.
Perdoe-me!
Apesar de tê-lo vivido intensamente por tudo onde andei, nunca sei reconhecê-lo claramente. Quando julgo vê-lo é sempre envolto por uma nuvem árida, passageira seguida por uma imensa esperança do contínuo reencontrar-se, esperança de viver mais um momento, de amar mais uma vez, de sentir o calor e o desejo de mais um beijo que tem em cada instante de duração a certeza de haver um próximo.
Nunca quis aprender a reconhecê-lo, por mais que já tenha sentido-o, sofrido-o e jamais aceitado em todas inúmeras vezes que deparei-me com seu escuro frio de uma noite solitária.
Peço desculpa pela minha persistente mania de racionalidade, principalmente quando não a devemos usar, mas foi o modo que me entendi ou que me engano de entender-me.
Gostaria que você pudesse, ainda dentro de sua inerente e ingênua desconfiança, acompanhar por um luar as tortuosas ladeiras da minha consciência contaminada pela sede de conhecer o que há de loucura em cada segundo da nossa existência, nadar por entre abismos despida do medo de se perder, sem a vergonha que lhe impuseram, para então, compreender instintivamente minha falta de ar e excesso de paixão diante o mundo.
Se se tornam tristes as minhas palavras é por que não posso lhe pedir entendimento, rogando-lhe, então, o mais honesto perdão. Lanço-me a vida em sua crença, necessariamente gratuita, para poder perdoar-me sem eu poder confessar.
Meu Deus! Olhe para nós! O que estamos fazendo? Deixamos nosso olhos umedecerem sem saber porque... Choro por nosso destino. Adianto-me obscuramente no tempo e já lhe peço perdão por ter seu caminho cruzado ao meu.
Se não entende minha dor e por que a faço sofrer, por favor tenha fé em meus olhos. Todas as noites rezo por você, rezo para jamais machucá-la, rezo para ser perdoado do mal que lhe faço. Quando em meu quarto sozinho vejo seus olhos, os meus derramam um mar que em sua presença me afogo internamente sem ninguém ver. Estaria eu embrutecendo para não conseguir chorar deixando crescer o nó em minha garganta, traindo-me então?
Machuco-a! Pode não ver, pode não querer ver, mais é um fato. Machuco-a quando querendo, nego-me; quando não querendo, entrego-me; quando estou perto e meus olhos se fecham chorando para si uma vontade de correr não sei pra onde; toda vez que engulo seco a vontade de descobri-la sem ter os pensamentos que me corroem, mas que me mantêm vivo.
Sim, estou lhe traindo, não quando estou longe, mas quando perto, pois é onde me traio e traindo-me, não sou nada além de um fantasma inventado por nossos sonhos.
É dessa dor que vivo, da dor causado pelo medo de lhe causar dor, que então já faço. Por isso choro os seus inocentes olhos sacrificados por meu egoísmo de sobreviver sem sede enquanto espero a ceia. Engano-me! Mais nobre morrer a fazer-lhe sequer uma vez a lágrima escorrer em sua fiel face.
Minha misericórdia está no seu viver, no seu amadurecer e no acreditar cego de que a vida vale a pena não importando onde ela vá parar. Meu consolo será seu tardio agradecer ao dizer para si “eu vivi, amei, chorei e sofri e não me arrependo pois trago comigo quem sou”. O que sustenta essa esperança são as pequenas coisas que podem passar despercebidas, pois é isso: o não saber, que a deixa ainda mais bonita... Quanto a mim, só resta agradecer sua existência e por ousar sentir-me, e esperar seu perdão pois sei que virá junto com seu crescer.
Minha herança para sua vida não passará de uma fumaça dispersa num tempo esquecido, mas a beleza que ela contém e para sempre manterá está nos seus olhos, no modo em que a vê, na madura serenidade que ainda agora lhe cobro. Há coisas que não devem ser entendidas, pois é justamente no não-entender que repousa toda a beleza. Às vezes precisamos regar nossas rosas com lágrimas, outras vezes com sangue, ou ainda com suor; e sabe porque são as mais bonitas? As das lágrimas, não pelo sal, mas pela coragem de se deixar transbordar; as do sangue, não pela dor, mas por sua cor que deixa viva e não apática todas as paixões; e as do suor, não pela canseira, mas pela conquista. Não peço que entenda, mas que aceite minha dor e me afague em tuas lembranças como o desejo do mistério.
Desculpe-me pela minha ânsia instintiva de conhecer em mim todos os sentimentos e que a use para isso, pois também me deixo usar e excito em seu corpo e em sua mente a curiosidade de sentir o gosto da vida mesmo que a tenha como preço. Sentir o calor deixando-se queimar numa fogueira para ver seu peito ferver e ouvir o seu próprio crepitar no consumir-se das emoções.
Somos formados pelo que vivemos, pelo que sentimos, pelo que construímos e destruímos. Vejo-a bela, viva, corajosa sem mim, e em sua coragem deposito minha fé e minha insistência de ver seus olhos mais uma vez, se ainda ouso senti-la, mesmo sacrificando-nos, vejo meu ato legitimado no descobrir-se inadiável que trago em mim, no nascer à cada sorriso, ainda que triste, que me oferece seu rosto num momento de dúvida.
Gostaria de fazê-la sorrir o resto da vida ou de ter seus olhos sempre úmidos de satisfação pairados sobre os meus que lhe contemplariam incansáveis para além do tempo e da vida que nos envolve, mas não poderei... Consigo então existir sob uma forjada paz quando penso que ao olhar para trás você sentirá algo florescendo em seu rosto, tímido, mas sincero e malicioso sorriso de ter vivido suas paixões, um certo brilho nos olhos que poucos irão reconhecer ou mesmo notar, a não ser aqueles que saibam distinguir uma pessoa que passa por aqui de uma pessoa que vive e degusta cada intenso instante de vida que lhe foi oferecida.
Tento encontrar em minhas palavras e na esperança que vejo em seu delicado rosto a minha salvação, a minha nobreza, a minha lealdade a meu coração. Mas porque à noite algo me sufoca tanto que não consigo nem chorar? Talvez porque eu preveja a dor nos seus olhos ainda não preparados para as desavenças do mundo; ora, de onde vem essa deliciosa curiosidade de vida que me instiga a crer nas paixões? Talvez seja eu que não esteja preparado. Não sei, nesse momento, o que pensar, meu próximo passo está turvo por um sentimento inefável, mesclado de dúvida, medo, crença, paixão e amor, de loucura e paz, e nesse momento rezo com minhas lágrimas que não vejo pois me implodem...
Abaixo a cabeça, sangra-me os joelhos e meu peito, inundo-me do medo que pensei estar extinto na minha procura e lhe peço perdão. Um perdão carente querendo ficar ao abrigo de sua inocência e, ao mesmo tempo feroz como a revolta contra Deus, mas amputado, querendo ser escorraçado de sua vida como forma de absolvição.
O que esperar? Se é o senhor de todo adeus e do fim de toda dor absolva-nos Tempo, destrua minha angustia, dilacere o que acredito e faça-me renascer. Que inútil e contraditório rogar o meu, se ainda quero viver o caminho e apreciá-lo.
Dê-me piedade seus olhos para eu poder dormir e para poder caminhar, pois agora não sei onde estou e não sei mais o que dizer, lhe implorar talvez o que não possa dar, e se não pode, finja pôr-me no seu colo e fazer-me adormecer como alguém desprotegido e perdido numa floresta escura que criei.
Perdoe-me!

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